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Ana Lúcia Freire Cantalice

1963 - 2020

Mulher guerreira, determinada, dona de um brilho e espontaneidade únicos.

A médica que não desistia de resolver um problema. Falar sobre ela é falar sobre anjos na Terra.

Por onde passava, essa doutora deixava seu legado e sua marca. Pessoa única, determinada e que nasceu para servir ao próximo. De origem humilde, transformou todas as dificuldades em superação. Era resiliente e justa.

Formada em medicina pela UFCG com 22 anos, sempre esforçada para fazer o seu melhor em tudo que se propunha a fazer.

Foi uma mãe espetacular para os filhos Érico, Ítalo, Stenio e Ana Carla. Uma esposa adorável e paciente do companheiro de vida Glaryston. Avó amorosa demais, irmã, amiga e profissional exemplar. Foi a sogra dos sonhos para as noras Amanda, Jandi e Juliana e para o genro Rodrigo. “Tivemos o privilégio de ter convivido com esse ser de luz”, afirmam todos.

Para ela, não existia um problema que fosse impossível de ser resolvido, pois só sossegava quando encontrava uma solução. Para toda situação negativa, sempre havia um lado positivo, não tinha tempo ruim... ninguém a via reclamar. Os obstáculos eram o impulso que a levavam a seguir em frente.

Sua vida e suas conquistas eram sempre em prol da sua família, a qual ela amava sem medidas. Seus filhos, seus maiores tesouros, foram a força motriz da sua vida e ela sempre fez de tudo para vê-los bem e muito unidos. E seus netos, ah... esses eram os mais mimados, sempre podiam tudo!

Sua profissão foi uma de suas maiores conquistas. Por ser de origem humilde, se dedicou e, por onde caminhou, se destacou. E como se destacou!

Como auditora da Unimed, passou trinta anos e foi uma de suas grandes realizações: começou como médica, passou a auditora e ascendeu como gerente. Com muita justiça, tomava cada causa como sua e enfrentava o que fosse para sempre ser justa e digna com todos.

Como neonatologista, não sossegava enquanto os seus recém-nascidos não estivessem bem. Salvou inúmeras vidas... muitos pais são gratos a ela. Não saía de perto e mobilizava quem fosse preciso. Sua marca registrada era a de não deixar ninguém quieto. Onde quer que ela chegasse, já ia determinando os afazeres e organizando o lugar.

Mulher guerreira, determinada, dona de um brilho e espontaneidade únicos. Deixou uma marca em cada ser humano que teve o privilégio de conviver com ela. O encanto do seu sorriso, sua energia, sua força e generosidade nunca serão esquecidos. Trabalhar para se doar aos pacientes e à família e viajar com todo mundo “debaixo de suas asas” foi o seu objetivo de vida. Era o que ela amava fazer.

Na luta contra o novo coronavírus, não sossegou e se destacou. Desde o início, dia e noite estudava, pesquisava, traduzia artigos internacionais, até mensagem para uma médica, na Itália, ela mandou; queria entender e se aprofundar cada vez mais. Mobilizou quem pôde para conseguir EPI´s para os locais de trabalho, mudou a rotina da UTI neonatal e de todos os hospitais onde trabalhava no intuito de proteger todos. Fez o primeiro diagnóstico de recém-nascido com Covid-19 da cidade de Campina Grande. Com uma de suas noras desenvolveu as “Feliz Shields”, acessórios para as Face Shields, que foram personalizadas com super-heróis para tornar o momento mais lúdico para as crianças.

Ela não era fácil, se queria algo, conquistava seu objetivo e mais um pouco. Sua energia era tanta que não conseguia ficar por muito tempo em casa, era muito monótono. Mas quando ficava, era do seu modo inesquecível de ser, um "rebuliço", sem deixar ninguém quieto. Irradiava e agitava qualquer lugar. Isso também é o que nos faz sentir essa dor na alma, dor irreparável, mas também é o que nos faz olhar para frente e seguir, como ela ensinou: “Siga sempre em frente para superar os obstáculos”.

Dra. Ana Cantalice é tudo isso e mais um pouco aos olhos de sua família e amigos que sempre serão os seus maiores fãs e admiradores. Será sempre amada, será para sempre inspiração.

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"Ao lado dela, como colega de profissão, muito aprendi com seus conselhos, orientações e encorajamento. Fica para nós o seu sorriso solto, suas palavras encorajadoras, e o seu exemplo de profissional competente e dedicada, além de ser uma super mãe, esposa e amiga. Saudade, muita saudade! Deixou-nos um legado que nunca esquecerei", conta a amiga Ana Coeli.

Ana nasceu em Campina Grande (PB) e faleceu em João Pessoa (PB), aos 56 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelos familiares e amigos de Ana. Este tributo foi apurado por Bettina Turner, editado por Bettina Turner, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 1 de agosto de 2020.