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Clarice Terezinha Bastos Cardoso

1956 - 2020

Apaixonada pelos dois netos e pelos livros espíritas da autora Zíbia Gasparetto.

Quando Kamila pensa na mãe, vem a imagem de uma mulher guerreira, que batalhou sozinha para criá-la. Segundo a filha, a mãe, que era conhecida como Clara, era uma pessoa muito forte e trabalhadora. A vida dela, em seus últimos anos, era dedicada aos netos, Davi e Laura.

Clara era brincalhona. Com ela não tinha tempo ruim, estava sempre disposta a tudo. Gostava de ler livros espíritas, especialmente os de Zíbia Gasparetto.

"Minha mãe foi uma mulher muito batalhadora, saiu cedo de casa, para trabalhar", diz Kamila.

Ainda segundo a filha, Clarice teve dois casamentos desfeitos e enfrentou muito preconceito por ter se divorciado em uma época em que mulheres separadas eram malvistas. Da primeira relação, não pôde ficar com a guarda dos dois filhos. Da segunda, levou Kamila, indo morar com o irmão, no Rio de Janeiro, onde cuidou dos sobrinhos, como se fossem também seus filhos. "Ficamos um tempo no Rio de Janeiro, mas aos meus 12 anos, viemos morar no Rio Grande do Sul, somente eu e ela. Em 2014, resolvi morar na Serra e, alguns anos depois, convidei-a para morar com minha família", conta a filha.

Clarice era diarista e morava em Garibaldi. Estava em tratamento de radioterapia em Bento Gonçalves, visto que estava recém-diagnosticada com um câncer pulmonar. O tratamento a deixava debilitada e, por várias vezes, precisou de internação hospitalar.

Além dos filhos Kamila, Jorge e Marcos, Clarice deixa ainda dois netos.

"Minha mãe era meu porto seguro. Sem ela, nem sei como vou viver. A gente vai tentando, mas não é fácil. Em tudo que eu olho, lembro-me dela. Desde uma simples refeição, até a ida ao pátio, aonde ela ficava com meus filhos", finaliza Kamila.

Clarice nasceu em Viadutos (RS) e faleceu em Bento Gonçalves (RS), aos 64 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Clarice, Kamila Pires de Mattos. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Kétlin de Siqueira, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 26 de junho de 2020.