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Erivaldo Henrique de Oliveira

1951 - 2020

Um herói que tinha o poder de sorrir para a vida em qualquer circunstância.

“Se aborrecimento resolvesse algum problema, aí eu me aborreceria”, essa frase era o "mantra" do Seu Erivaldo, mais conhecido como Vadão. Um otimista incorrigível.

Pense num homem que foi abandonado pela esposa, com dois filhos pequenos para criar. Um daqueles obstáculos que, para a maioria, seriam intransponíveis, mas que, para o Seu Vadão, foram como adubo, fazendo crescer em seu coração um amor ainda mais frondoso. Que o digam filho e filha, para quem foi pai, mãe e um verdadeiro herói!

Seu Vadão só perdia as estribeiras duas vezes por semana, durante noventa minutos, mais os acréscimos - quando assistia aos jogos do seu Vasco. E, ai de quem cometesse o sacrilégio de criticar o seu time. Isso era direito dele, e só dele.

Era um imã que atraía todos a sua volta: filhos, netos, nora e genro.

Visitava, uma vez por ano, o filho que morava no Espírito Santo. Ao se despedir, costumava pedir para que todos o abraçassem como se fosse a última vez.

Seu Vadão costumava dizer que não temia a morte - Porque assim são os heróis. Eles não temem nada!

Erivaldo nasceu em Pernambuco e faleceu em Duque de Caxias (RJ), aos 69 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo filho de Erivaldo, Eduardo Jorge Nascimento de Oliveira. Este texto foi apurado e escrito por Fabio Victoria, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 4 de junho de 2020.