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Gercina Pereira Dias

1938 - 2020

Era puro amor. Um coração em que cabiam todos. Otimista e corajosa, viveu sua vida dedicada à família.

Vovó Gercina era a maior matriarca da família: nordestina, mulher perseverante e de coragem. Em toda a sua jornada, dedicou sua vida para a família.

Casou-se aos 17 anos, uma única vez. Sempre muito habilidosa, ela mesmo costurou seu vestido de noiva. Aos 31, ficou viúva e junto de seus seis filhos, estando a caçula ainda com um ano, buscou caminhos para seguir a vida.

Comunicadora nata, trabalhou como vendedora por muitos anos, tendo liderado muitas equipes. De alma inquieta e talento empreendedor, teve vários negócios durante a vida: de artesanato à pintura, bijuterias, perfumaria, confecção de roupas e, finalmente, sua maior paixão: educação infantil e o amor pelas crianças.

Autônoma e independente, uma mulher à frente de seu tempo. Não reclamava da vida e valorizava a liberdade. Teimosa, ninguém mandava nela. Otimista e a melhor conselheira. Solidária, buscava ajudar todos, até mesmo os estranhos.

Sua maior paixão? Os netos.

Amava estar com a família reunida e colocar o "pé na estrada". Viveu cada dia de sua existência com muita luta e propósito.

Sua família não pôde se despedir, mas Gercina seguirá viva, eternamente, dentro de seus corações.

Gercina nasceu em Águas Belas (PE) e faleceu em São Paulo (SP), aos 82 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela neta de Gercina, Beatriz Bevilaqua. Este texto foi apurado e escrito por Helena Pawlow, revisado por Lígia Franzin e moderado por Edson Pavoni em 8 de maio de 2020.