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Gerson da Silva

1968 - 2020

Cachorrão, como era carinhosamente chamado, sempre tinha uma palavra de apoio e um sorriso para oferecer.

No bairro Bebedouro, em Maceió, Gerson era carinhosamente chamado de Cachorrão. Muito bem-humorado, ele ria de tudo. Mas foi com seriedade que exerceu a sua amada profissão de mecânico. Tornou-se conhecido pelo seu trabalho e também pelo seu bom papo.

"Ele sempre foi um tiozão, um paizão, sabe? Conversava sobre qualquer coisa, dava conselhos, fazia gracinhas, era uma pessoa 10" descreve a sobrinha Gilcellia, que prossegue: "E era muito prestativo, estava sempre à disposição para ajudar, apoiar. Ele era o nosso porto seguro."

Gerson foi casado e viveu longos anos com a mãe dos seus filhos Jeferson, Jedson e Gideão. Contudo, separou-se e foi morar com a mãe, a Dona Rilda, de quem cuidou com carinho. Cachorrão foi um bom pai, um ótimo filho e um querido avô para os seus sete netos.

No dia a dia, mantinha-se próximo das suas irmãs Nalva, Mam e Zezinha, e do seu irmão gêmeo Gilson. Também mantinha-se presente na vida das sobrinhas, apoiando Gilcellia e Mary, acompanhando By nas idas para a igreja e ajudando a Neide no fornecimento de alimentos para as pessoas em situação de rua.

Cachorrão era realmente prestativo e disposto a contribuir no que fosse necessário. Costumava dar preciosos conselhos e dizia: "Mesmo em momentos difíceis, temos de ser fortes. Está ruim, mas vai melhorar", como recorda Gilcellia, que ainda guarda o último áudio que recebeu do tio, "uma pessoa iluminada".

Foi com esse espírito positivo que Cachorrão viveu plenamente a sua vida. Ficou noivo da Eliane, pastora da igreja que frequentava, e aguardava o fim da pandemia para casar-se. Foi um homem apaixonado, também, pelas viagens para o interior do estado, que sempre fazia.

Próximo da sua partida definitiva, mostrou-se preocupado e pediu para os familiares serem fortes e se cuidarem. Cachorrão partiu cinco dias antes do seu aniversário de 52 anos. Para a sua família, é como se ele tivesse feito uma das suas viagens, mas, dessa vez, para o interior de Deus. Lá, certamente, permanecerá sendo luz e esbanjando sorrisos.

Gerson nasceu em Maceió (AL) e faleceu em Maceió (AL), aos 51 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela sobrinha de Gerson, Gilcellia Maria Da Silva. Este tributo foi apurado por Malu Marinho, editado por Luciana Fonseca, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 5 de agosto de 2020.