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Glória Tereza Lima Barreto Lopes

1958 - 2021

Nascida no dia do Pediatra, sonhava em exercer a profissão. Realizou este e muitos outros sonhos.

Quando criança, Glória sonhava em tomar uma banana split e em ter uma estante para guardar seus estimados livros, já que os mantinha em uma caixa de maçã que recolheu na feira.

Era uma aluna dedicada e tinha convicção de que chegaria onde desejava. "Escolheu receber de seu padrinho o anel de formatura em Medicina antes mesmo de passar no vestibular", lembra com carinho a filha Thaís.

Ao lado de Luiz, seu grande amor, formou uma linda família, da qual cuidava com zelo.

Cada cantinho da casa de seu filho Eduardo tem o toque de Glória. Foi ela quem o ajudou com a reforma e a decoração. Tinha ideias geniais e era extremamente divertida, o que tornou o processo muito mais gostoso.

Consolidou uma relação singular e muito especial com sua nora Nadja. Foi em uma viagem para o Chile que essa amizade se tornou ainda mais forte. "Eu a chamava de ‘tia Glória’. Quando nos conhecemos, não imaginei que ela seria uma segunda mãe para mim", conta a nora. "Ela esteve comigo em todos os momentos em que precisei. Ajudou na escolha do meu vestido de noiva, segurou a minha mão enquanto eu chorava em frente ao espelho. Todos achavam que éramos mãe e filha”, completa Nadja.

Era apaixonada por Gigi e Bentinho, seus netos. Participou do nascimento de Bento e foi a primeira a pegá-lo no colo. "Aprendi a ser mãe com ela. Me deu amor no puerpério, me auxiliou na amamentação, ajudou em tudo. Foram os dias mais especiais que Deus nos concedeu", lembra Nadja.

Com o seu jeitinho acolhedor, fez jus à frase "Coração de mãe sempre tem espaço para mais um". Recebeu o genro Rogger como a um filho. Moraram juntos por muito tempo e partilharam a vida com alegria, cuidando um do outro.

Como médica, atuou com amor e comprometimento. Cuidava das crianças, e também dos pais. "Lutou a vida inteira pela garantia dos direitos ao tratamento digno em saúde. Foi uma honra conhecê-la e poder chamá-la de mãe", declara a filha Thaís.

Ter seu próprio consultório foi um sonho que realizou ao lado da filha. Juntas, construíram uma clínica onde Glória atendia com amor e carinho cada um dos pacientes.

Ensinou aos seus sobre felicidade e gratidão. "Quando você sofrer, a única coisa que precisa fazer é aumentar a percepção das coisas boas que você tem na vida", dizia. Como está escrito em seu salmo preferido, o 23, bondade e misericórdia acompanharam Glória em sua vida.

Falar dela é falar de alegria, bondade e compaixão. É também falar de Paris - apaixonada pela cidade, brincava dizendo que em outra vida nascera lá.

Foi uma mulher realizada, que conheceu o amor de muitas formas. Marcou a vida de muitas pessoas e continua guiando os seus familiares pelo vínculo do amor.

Glória nasceu em Aracaju (SE) e faleceu em Aracaju (SE), aos 62 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela nora de Glória, Nadja Nara Ramos Oliveira. Este tributo foi apurado por Rayane Urani, editado por Tayla Gomes de Souza , revisado por Úrsula Costa e moderado por Rayane Urani em 28 de junho de 2021.