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Iasmin de Albuquerque Cavalcanti Duarte

1957 - 2020

O aroma de jasmim na varanda traz lembranças de Iasmin quando chega o verão.

Iasmin era médica pediatra e professora, mas acima de tudo era luz, uma daquelas pessoas impossíveis de conhecer e não amar. Foi uma irmã muito querida, mãe e avó amorosa, esposa dedicada e profissional admirada.

Gostava de juntar a família toda e passar algum tempo junto, comemorar qualquer pequena vitória do cotidiano. Sabia aproveitar a vida e curtir os pequenos momentos. Podia sempre ser encontrada sentada na varanda, até mesmo de madrugada, jogando conversa fora enquanto petiscava alguma coisa.

Os nomes de todos os seus irmãos são indígenas, unicamente porque seu pai gostava. São eles Iapunira, Iara, Ubiratan, Ubiracy e Ubirajara (sendo os últimos dois gêmeos).

Iasmin considerava sua irmã Iapunira uma mãe, pois a diferença de idade entre as duas era de catorze anos. Não moravam na mesma cidade e quando se encontravam passavam a noite toda conversando. Na hora da despedida, o peito apertava e lágrimas de saudade rolavam, mesmo sabendo que se reencontrariam em breve.

Iara, sua outra irmã, era sempre convidada para tomar café e jantar em sua casa, pois moravam próximas. Iasmin a ajudava muito com seus conselhos. Seus irmãos gêmeos Ubiracy e Ubirajara recebiam um carinho enorme da irmã, mesmo que morassem fora. Ubiratan, um dos mais velhos, também tinha com ela uma relação paternal. Todos cuidavam muito bem uns dos outros.

Paulo era o esposo de Iasmin e, segundo sua sobrinha-neta, eram poucos os casais que se amavam tanto quanto aqueles dois. Um amor que persistia ao longo dos anos de casamento e era celebrado com viagens, desde as regiões próximas até países como França e Inglaterra; nos bailes onde os dois deslizavam pela pista dançando e com a fé, cantando juntos no coral da igreja que frequentavam. Os dois eram companheiros de vida e apreciavam demais a companhia um do outro.

Sua casa era uma bagunça bonita. Sempre tinha espaço para mais um. Com deliciosas comidas e uma bela toalha de mesa, ela era o elo que unia toda a família. Iasmin conversava sobre tudo, amava falar sobre seus três filhos, Elizabeth, Daniel e Iasmin (xará da mãe) e sobre o futuro, mas também estava sempre pronta para escutar. Uma pessoa muito atenciosa que realmente sabia ouvir o outro, acolhia e carregava qualquer um embaixo das asas.

Professora da Faculdade de Medicina de Maceió, há alguns anos passou a coordenar o curso. Tinha seu jeitão de "mãe de todo mundo" e rotineiramente recebia presentes de seus alunos como forma de agradecimento por alguma ajuda prestada, ou muitas vezes apenas por seu carisma. A filha homônima seguiu os passos da mãe e hoje atua como endócrino pediatra.

Iasmin foi uma avó completamente apaixonada pelos quatro netos. Dedicava-lhes todo o tempo livre que tinha. A linguagem nunca expressará o amor que sua sobrinha-neta sentia e ainda sente por Iasmin.
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“Fiquem firmes e se esforcem para serem felizes", dizia nas formaturas, com todo orgulho de formar médicos.

Iasmin, como seu próprio nome já indicava, florescia esperança e amor.

Professora e atual diretora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Alagoas, formou várias gerações de médicos, com muito carinho pelo que fazia. As boas memórias que Iasmin deixava eram unanimidade nos alunos e colegas de trabalho.

"Mais que o vínculo universitário, a professora Iasmin sempre cuidou de nós com carinho de mãe, floresceu esperança em todos os momentos difíceis e, com muito amor, trilhou sua trajetória na docência", lembra o ex-aluno Kelvyn.

Iasmin inspirava todos que tiveram o privilégio de conhecê-la. Provava aos seus alunos como a força de vontade e o comprometimento transformam a maneira de se fazer Medicina. Nela, seja em corredores, aulas ou reuniões, encontrava-se abrigo e felicidade. Nos projetos de extensão, seu amor em cuidar estendia-se para além dos muros da universidade.

Deixa um legado de compaixão e empatia, que será para sempre lembrado por quem a conhecia.

Iasmin nasceu em Maceió (AL) e faleceu em Maceió (AL), aos 62 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela sobrinha-neta e pelo ex-aluno de Iasmin, Iapunira Catarina Sant'Anna Aragão e Kelvyn Vital. Este tributo foi apurado por Luisa Pereira Rocha e Samara Lopes, editado por Mariana Coelho, revisado por Fernanda Ravagnani e Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 1 de setembro de 2021.