Sobre o Inumeráveis

Jeu Chin Shing

1953 - 2020

Um doce de pessoa. De origem chinesa, nasceu em Moçambique, naturalizado português e brasileiro de coração.

Tio Shing não podia ver ninguém passar aperto na vida, era de sua natureza ajudar, acudir e socorrer; algo tão orgânico que ele não conseguia evitar. O sobrinho William lembra com carinho do tio que, embora tenha conhecido apenas aos dezessete anos – e lá se vão dezoito desde então -, deixou apenas lembranças boas, de um homem que “era solidário até demais!”.

Quando o irmão Jeu Chin Guen ficou doente – teve um câncer -, o tio Shing fazia questão de ir à sua casa, não apenas como visita, mas como aquela pessoa solícita e disponível que arruma o que estiver precisando ser arrumado, troca lâmpada e, até, faz compras para abastecer a despensa. Tio Sing tinha esse jeito de demonstrar amor de verdade, não apenas em palavras, mas, também, e principalmente, nas atitudes.

William sente falta do tio, principalmente das conversas que tinham quando o sobrinho ia à sua casa nos finais de semana. William mora em Guarulhos e o tio em São Paulo. Então, os encontros só eram possíveis aos finais de semana, por conta da distância. Mas eram encontros alegres e recheados de histórias que tio Shing contava sobre as inúmeras dificuldades vividas como imigrantes em outros países.

Shing foi casado com Leuzza Rodrigues a quem muito amou e com quem realizou o sonho de ter seu próprio apartamento. Quando Shing se aposentou, tendo trabalhado muitos anos na área de eletrônica, o apartamento foi comprado, é um imóvel no centro de São Paulo, como eles queriam.

Esse homem tão querido, cujo coração pulsava amor por quatro pátrias e mais inúmeras pessoas a quem foi solidário; que amava contar histórias, visitar parques, o aquário e museus, deixa uma enorme saudade, sobretudo nos irmãos: Pam Wu, Jeu Chin Guen e Jonh Chin, cujos corações encontram-se partidos pela perda repentina. Mas deixa, sobretudo, a lição de que ajudar um irmão ou amigo que esteja passando por dificuldades não é apenas uma escolha, é dever de cada um de nós.

Jeu nasceu em Beira, Sofala (Moçambique) e faleceu em São Paulo (SP), aos 67 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo sobrinho de Jeu, William Porfírio de Sousa e Silva. Este tributo foi apurado por Ana Macarini, editado por Ana Macarini, revisado por Luana Bernardes Maciel e moderado por Rayane Urani em 5 de julho de 2020.