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João da Silva

1967 - 2020

Assim na Terra como no Céu: Padre João era a alegria em pessoa, o sinônimo de fé e amor.

Foi ordenado padre em 1999, mas antes dessa dádiva, João já se dedicava fielmente a amar e ajudar o próximo. O amor pelo ser humano era tão mútuo quanto o amor para uma vida em prol de Deus, como se ambas as coisas se complementassem e o padre, de forma singela e tão linda, tivesse o dom para concretizá-las.

Visitava hospitais, num ato nobre de levar a palavra e espalhar o amor pela vida. Em uma de suas visitas ao Hospital Universitário de Brasília, conheceu André. Rapaz novo, mas com uma história difícil: HIV positivo e câncer. André era também usuário de drogas e não tinha família por perto.

Ao adentrar na sala, as palavras rudes do moço foram certeiras: “O senhor pode ir embora, porque não quero falar de Deus”. O padre, num ato simplório e muito humano, lhe disse: “Não estou para falar de Deus. Quero saber de você, como paciente, como está?”

E foi deste ato que surgiu uma amizade tão forte e linda. Pe. João visitava André, levava algumas comidas que o enfermo podia comer e, assim, decorreu-se um longo período, sem que nunca se tocasse no nome de Deus.

Até que um dia, a fala veio de surpresa e em boa hora: “me fale de Deus!”, foi como dar doce para criança. O sacerdote levou a palavra e André quis então ser batizado. Assim foi feito, mas seu quadro piorou. Somente após a consagração do corpo de Cristo, aconteceu o seu falecimento.

Pe. João da Silva concretizou sua missão na vida deste rapaz. E na de tantos outros seres humanos — os seus filhos de fé.

Por onde passava, Pe. João iluminava, brilhava e sorria para a vida. Mesmo com problemas pessoais e de saúde, nunca se deixou levar pelas lamúrias do dia a dia. Foi mais que um sacerdote, foi um amigo gigante, de coração e alma.

Sinônimo da fé e do amor.

Não morreu. Encontrou-se na eternidade ao lado de Deus Pai, que lhe concede a benção de continuar olhando e iluminando todos aqui da Terra.

João nasceu em São Carlos (SP) e faleceu em Campos de Jordão (SP), aos 52 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelos amigos de João, Flávia de Oliveira Porto, Jose Roberto Vignoto e André Soares. Este tributo foi apurado por Rogério Oliveira, editado por Larissa Maria, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 4 de agosto de 2020.