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João Xavier Ribeiro

1940 - 2020

Gordinho e barrigudo, a gordura na verdade era amor, que não cabia no peito.

Motorista por 30 anos, Dida era um velhinho aposentado.

Teve três filhos, duas meninas, Vanilma e Viviane, e um menino, Valdemir, que lhe deram seis netos, Gabriel, Bianca, Heitor, Breno, Bruna e Henrique, e um bisneto. Avô mais babão da vida e pai mais bondoso de todos.

Foi dançando, ao som da música "Trem das Onze", dos Demônios da Garoa, que ele encantou a mulher que viria a ser sua esposa, e que com ele, formaria essa grande família. Família que ele fazia questão de reunir para os almoços de domingo, costume que é, e sempre será, sua grande marca.

Diante de seus defeitos, odiava esperar. Não tinha a menor paciência. Também não gostava de ouvir música alta, preferia um som ambiente.

Apaixonado pela vida, falava que só iria morrer com 90 anos, porque ainda tinha muito a viver. Viver junto com sua família... fosse um almoço na praia ou um simples abacaxi gelado, na barraca do amigo de infância, Sr. Bio, lugar escolhido para ir sempre que batia uma vontade de sair.

Gostava de sentar-se numa cadeira de balanço em frente a casa, conversar e brincar com todos que ali passassem. Também amava brincar com os netos ou tomar banho de sol... Sempre estará presente na lembrança dos que conviveram com ele, nos almoços, na santa missa aos domingos e até na barraca de Sr. Bio. Era um homem tão generoso, que a rua inteira sente sua falta.

"Sempre irei me lembrar de quando eu ia trabalhar, ele lá no portão me dizia: vá com Deus!", conta Valdemir. Ele partiu num sábado chuvoso.

João nasceu em Chã Grande (PE) e faleceu em Vitória de Santo Antão (PE), aos 79 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pelo filho de João, Valdemir Xavier Ribeiro. Este texto foi apurado e escrito por Alessandra Capella Dias, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 12 de julho de 2020.