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Joaquim Alberto de Oliveira

1960 - 2021

Além de dar aulas de Educação Física, ele organizava as olimpíadas escolares, festas juninas, carnavais, desfiles...

Ele foi um cara incrível: era, a um só tempo, a figura do pai presente, do amigo leal, profissional competente, irmão mais velho, o tio legal e o avô babão, que levava os netos pra passear e se divertia, quase criança novamente, a brincar na areia, sujar os pés de barro, soltar pipa e pescar... "Assim era o tio Joaquim", conta a sobrinha Juliana.

Ele enfrentou muitas dificuldades, mas teve uma trajetória de vida permeada de alegrias e conquistas. Foi professor de Educação Física por mais de trinta anos, e nesse período transformou muitas vidas com suas aulas, seus ensinamentos e conselhos.

Joaquim era mais que um professor: ele organizava todos os eventos do colégio e na escolinha de futsal, formou grandes times, masculinos e femininos. Ele marcou gerações, pois, mais do que dar origem a atletas, seus ensinamentos e incentivos à prática do esporte contribuíram para a formação de cidadãos.

Era um filho dedicado, carinhoso e atento: ligava para a mãe sempre, e com ela tinha longas prosas sobre o tempo, sobre a vida; aconselhava, e também chamava a atenção dela, quando precisava. Tio Joaquim era um paizão, sempre presente, apoiando e incentivando os dois filhos: foi colo quando precisaram — e foi força também — formando assim dois pais melhores, por terem tido seu exemplo.

Se como pai ele foi o máximo, como avô foi genial: acompanhou Julinha e Lorenzo nas primeiras consultas, primeiras vacinas, primeiras aulas de natação... "Ele curtiu os netos tanto quanto pôde e por pouco tempo", lamenta a sobrinha Juliana, que teve o privilégio da companhia dele ao longo de sua vida.

Foi ele quem a levou ao médico quando passou mal, pois os pais não tinham carro; esteve em todos os seus aniversários; participou de todas as formaturas e até ofereceu a casa dele para que a sobrinha pudesse celebrar suas conquistas. “Ele me ligou todos os dias quando meu pai — seu irmão — ficou internado com a Covid-19, me dando apoio e oferecendo ajuda. Ele sempre esteve presente e hoje ele não está mais. Isso é o que mais dói.”

Joaquim deixa a família, amigos e ex-alunos, que sentiram sua morte como a morte de um pai querido, firme e acolhedor.

Joaquim nasceu em Itaperuna (RJ) e faleceu em Vila Velha (ES), aos 60 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela sobrinha de Joaquim, Juliana Souza de Oliveira. Este tributo foi apurado por Larissa Reis, editado por Rosa Osana, revisado por Maria Eugênia Laurito Summa e moderado por Rayane Urani em 8 de setembro de 2021.