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Joaquim Brito da Silva

1947 - 2020

Um contador de histórias nato, que amava a vida e repetia sempre a frase: “É muito bom viver”.

“Meu Pai, conhecido como Joaquinzão, era grande e tinha cara de bravo, mas foi o homem mais engraçado que já conheci”, diz a filha Ayla, contando que Joaquim tinha o dom da comunicação: “Quando ele começava a falar, todos ficavam atentos”.

Ela afirma que, embora o pai fosse um homem simples, cultivava ideias que muitas vezes estavam à frente do seu tempo: “Apesar de ter passado a vida toda no interior, tinha pensamentos bem 'modernos'. Nunca discriminou ninguém por nada e era um grande incentivador dos estudos. Incentivava também a mulher. Dizia que as mulheres podiam fazer tudo que quisessem”.

Ayla descreve o pai como “um típico libriano, que sonhava acordado”, religioso e cheio de fé: “Nunca esmorecia. Sempre tinha palavras positivas e ajudava todos que pediam sua ajuda”.

Joaquim trabalhou como comerciante e, nas horas vagas, adorava caçar e pescar. “Também amava presentear com flores do jardim da nossa casa. Preparava com cuidado os buquês para dar em datas especiais”, diz a filha.

“Sempre fez de tudo pela família. Foi um bom filho, um bom pai, marido apaixonado, irmão zeloso e um vovô babão”, afirma Ayla. Além de zelar pela família, também cuidava com muito amor de seus dois cachorros. A filha conta que o pai amava a terra e era um defensor da natureza.

Joaquim deixou muitos amigos, irmãs, a esposa apaixonada, três filhas e uma neta. “Deixou também um neto que ainda está na barriga e que não vai ter o prazer de conhecer o vovô”, diz Ayla. E conclui: “Esse foi meu pai, o amor de nossas vidas, de quem sentiremos saudades eternas”.

Joaquim nasceu em Campo Maior (PI) e faleceu em São José de Ribamar (MA), aos 72 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Joaquim, Ayla Joaquina Costa. Este tributo foi apurado por Lígia Franzin, editado por Renata Meffe, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 31 de julho de 2020.