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Joel Pereira de Alcântara

1940 - 2020

Professor, poeta e sempre pronto para uma aventura.

“A vida é um jogo de difícil interpretação, onde uns jogam com a cabeça, outros, com o coração”, escreveu o professor e poeta Joel, que com certeza jogou a vida com o coração.

Não gostava de ser chamado de velho, até no alto dos seus 79 anos. Era um homem sábio e vivido, amava viajar e desbravar o mundo. Escreveu poemas e livros, teceu versos, formou alunos, foi responsável pelo ingresso de pessoas no universo das Letras, como homenagem nos agradecimentos de uma dissertação de mestrado.

Nas aulas que dava, não havia monotonia. Fazia de tudo para prender atenção dos alunos, do uso de tecnologia à ida a museus. Além de professor, era ombro amigo. Em casa, era pai, avô e marido, o amigo mais amável, fortaleza da família. Cozinhava, confeitava bolos, costurava e dançava.

A filha Alessandra diz não existir pessoa mais alegre, pronta e disposta para tudo, e que Joel, quem adorava as palavras, partiu sem palavras ditas.

Palavras escritas, ele deixou muitas, e como sua deixa dessa vida, fica como registro-despedida esse seu poema:

Sou apenas um ser
Que pensa, que sofre, que ri,
Que escreve para fugir do tédio
Que usa a poesia como remédio
Para em meus infortúnios intervir
E nas inconstâncias de meus versos
Dou vida a minha imaginação
Canto o que me inspira respeito
Abordo a natureza ao meu jeito
Resgato o amor de meu peito
Faço da poesia a minha oração.

Amém, professor Joel.

Texto de Ana Squilanti.

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O professor Joel tinha muitos talentos que foi espalhando ao longo da sua caminhada: além de ser professor, era apaixonado por escrever. Fazia livros de poesia e enfeitava o mundo com suas palavras. Mas engana-se quem pensa que essas eram suas únicas qualidades: cozinhar, confeitar bolos esplêndidos, costurar e dançar também figuravam entre suas especialidades.

Ele e a esposa Maria José, companheira da vida toda, tinham uma riqueza em comum, seus sete filhos: Sandra, Jaqueline, Isabel, Alberico, Marcelo, Rogério e Nivaldo. Joel era a fortaleza da família, sempre muito amável com todos e disposto a ajudar, só não gostava que o chamassem de velho. Nada disso!

Porque ele era sempre a pessoa mais animada da sala, pronto para uma aventura. Adorava viajar. Queria desbravar o mundo.

Um homem de tantas palavras, e nada foi dito em sua partida. "As palavras se foram com ele. Ficamos mudos, sem poesia nem alegria. Que falta você nos faz!", se despede sua família. "Mas a alegria estará na lembrança dos melhores momentos vividos juntos, das festas e encontros, dos nossos momentos de risada."

Texto de Marilza Ribeiro.

Joel nasceu em Goiana (PE) e faleceu em Recife (PE), aos 79 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela neta de Joel, Alessandra Alcântara. Este texto foi apurado e escrito por Marilza Ribeiro, revisado por Luiza Carvalho e moderado por Rayane Urani em 1 de junho de 2020.