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Jorge Valdir Aredes

1948 - 2020

Um homem de postura rígida e coração mole. Sempre disposto a ajudar o próximo.

Jorge era um maquinista aposentado da Rede Ferroviária Federal, casado com Elizabeth, cujo um dos maiores sonhos era ver as filhas formadas. E conseguiu.

O genro Fabio relembra que o sogro não conteve as lágrimas de emoção na cerimônia de graduação das duas. “Por trás de um jeito meio durão de ser, existia uma pessoa com um coração enorme, sempre disposta a prestar ajuda, mesmo àqueles que não conhecia”, acrescenta.

Ele ainda conta que Elizabeth tinha glaucoma quando conheceu Jorge, e que após uma cirurgia para tentar a correção, ela ficou completamente cega, aumentando ainda mais a necessidade dos cuidados por parte dele. Juntos, o casal teve primeiro a Andreia e depois a Vanessa.

O apreço por contar histórias faz parte das recordações do genro: “Ele não perdia a oportunidade de relacionar os acontecimentos atuais com alguma história que já tivesse vivenciado ou com suas experiências de vida”.

Jorge era religioso e aconselhava a todos sobre a importância de se ter uma religião, qualquer que fosse.

Ele adorava pescar e ouvir música clássica em casa, em contraste a festas com som em volume alto.

Do tipo inquieto, principalmente após a aposentadoria, e conhecedor de um pouco de tudo, gostava de ajudar nas obras e nos pequenos reparos nas casas das filhas, além de fazer a manutenção dos próprios carros.

Avô dedicado, teve grande contribuição na educação dos netos Fábio Júnior e Caroline – frutos do casamento da mais velha –, já que por diversas vezes cuidou dos dois para Andreia poder trabalhar.

“Sempre que penso nele, o visualizo ajudando as pessoas. Seu coração era enorme, quase não cabia dentro do peito”, diz Fabio, e completa: “Essa será sempre a lembrança gravada em nossas memórias, dessa grande pessoa que ele foi, em todos os sentidos”.

Jorge nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 71 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo genro de Jorge, Fabio Nascimento da Silva. Este tributo foi apurado por Lígia Franzin, editado por Mariana Quartucci, revisado por Gabriela Carneiro e moderado por Rayane Urani em 28 de julho de 2020.