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Juana Naranjo Gallart

1933 - 2020

Uma espanhola extremamente vaidosa e de coração enorme. Reconhecida por fazer o bem.

Essa espanhola, apelidade carinhosamente de Juanita, nasceu em Sevilla e tinha como peculiaridade sua alegria. Onde ela chegasse, irradiava luz e chamava a atenção de todos.

Tinha uma paixão enorme por seus filhos, seus netos e seus maridos. Dona Juana, casou-se duas vezes. Seu primeiro casamento foi com o espanhol José, por procuração, e após isso, ela veio para o Brasil e teve com ele três filhos: Cristina e José Manuel e ainda um primeiro filho, que infelizmente faleceu aos cinco meses. Ficou viúva aos 38 anos de idade.

Conheceu o espanhol Pablo, também viúvo, pai de duas filhas: Marily e Marisa. Permaneceram juntos e apaixonados por quarenta e dois anos e Juana considerava suas enteadas como filhas.

Dona Juana montou uma família gigante e, sempre que podia, voltava a sua terra natal para rever a família.

No Brasil, trabalhou como voluntária no Centro Democrático Espanhol, que auxiliava presos políticos na Espanha, na época de Franco. Também cuidava dos imigrantes espanhóis idosos e sem famílias, na Sociedade Beneficente Rosália de Castro, da qual foi presidente. Ambas as instituições em São Paulo.

Nas horas vagas, adorava reunir todos os amigos, familiares e, claro, como uma exímia espanhola, dançar "Sevillanas".

Sua filha Cristina relembra um momento engraçado e gentil, ao lado de sua mãe: “Ela sempre cozinhou muito bem e gostava de cozinhar. Uma vez, ela fez uma 'Paella' (comida típica da Espanha) e ficou de levar um prato para uma vizinha do prédio, para quem havia prometido. Quando ela retornou, começou a rir, pois havia entregado para a vizinha errada, que ela não conhecia e não teve coragem de pedir de volta”.

Dona Juana levava a bondade como sobrenome. Não tinha maldade em nada que fazia. Com todos se dava bem e não havia uma pessoa que não gostasse dela. Era muito alegre, carinhosa e vaidosa, não saía de casa sem seu batom. Ela sempre dizia: “Quando eu morrer, quero estar linda, maquiada”. Infelizmente, não foi possível realizar o desejo dela.

Será lembrada, com certeza, como Juanita - A andaluza alegre e bonita.

Juana nasceu em Sevilla (Espanha) e faleceu em São Paulo (SP), aos 86 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Juana, Cristina. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Priscilla Romana Fernandes, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 10 de junho de 2020.