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Maika Ferreira Melo

1980 - 2020

A professora indígena que ensinou o amor e a dedicação à sua família e a seus amigos.

Maika era da etnia Macuxi e foi mãe cedo, aos 14 anos. A família a incentivou a continuar estudando, mesmo depois da chegada do bebê.

Aos 17, já tinha um casal de filhos: Sedyedlla e Mayckon.

Aos 21 anos, Maika tornou-se agente comunitária de saúde e dedicou-se a esta atividade por mais de 10 anos, atendendo com carinho aos moradores do bairro Jardim Floresta e, por último, aos do bairro Cidade Satélite, onde residia, em Boa Vista.

Aos 24 anos, foi mãe de outra menina, Mayanne. E parece que ser mãe trazia ainda mais força para Maika, que se formou pedagoga em maio de 2015, com a determinação já conhecida desde cedo, trabalhando em dois períodos e estudando à noite.

Em 2016, tornou-se professora na comunidade do Sucuba, passando também pela Comunidade da Serra do Truarú e, recentemente, voltando à Comunidade do Sucuba, lecionando na Escola Riachuelo.

Maika vivia, aos 40 anos, a melhor fase da sua vida. Tinha conquistas, ideais, sem nunca deixar de sonhar novas possibilidades. Estava entusiasmada, por exemplo, com a conclusão da sua pós-graduação e com o início de uma nova graduação.

Foi presenteada também com o nascimento das netas gêmeas, Luynna e Lorenna, que acabaram de completar seu primeiro ano de vida.

"Maika era vaidosa, mãe companheira e superincentivadora. Ela amava as flores, a natureza, os cachorros... Estava sempre de bem com a vida. Tinha o sorriso largo e fácil. Era também a mais manhosa da família, a filha mais companheira dos nossos pais", relembra a sua irmã Alderlande.

Amiga generosa, era comprometida com a educação dos seus alunos e envolvida nas atividades do cotidiano das comunidades por onde passou.

A partida repentina não a impediu de semear o amor. Ingrediente agora usado pela família e amigos para continuarem seguindo em frente.

Maika nasceu em Boa Vista (RR) e faleceu em Boa Vista (RR), aos 40 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela irmã de Maika, Alderlande Ferreira Melo. Este tributo foi apurado por Viviane França, editado por Gustavo Kosha, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 18 de julho de 2020.