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Marco Antonio Bedani

1965 - 2020

No caos indiferente de São Paulo, um homem simples correndo para salvar vidas.

Conduzindo ambulâncias da Maternidade Cachoeirinha, Marco Antonio, que trabalhara no SAMU, certamente aliviava a tensão lembrando canções da música sertaneja de raiz, seu gênero preferido. A profissão é tensa, e, no caso dele, de atenção redobrada: era responsável pelo transporte (quase sempre urgente) inclusive de vidas prestes a nascer. Mas não tinha medo. Dizia que bastava sua fé em Jesus Cristo.

Homem simples que adorava um bom churrasco e viajar de moto com a esposa, que se aborrecia com pessoas falsas e admirava as autênticas, que teve pais muito presentes e sonhava com um mundo com mais amor e fé, Marco Antonio salvou vidas não apenas como motorista de ambulância, no sempre caótico trânsito da capital paulista. Também atuava junto aos Alcoólicos Anônimos e aos Narcóticos Anônimos, ajudando outras pessoas na superação dos vícios, cujo sofrimento ele conhecia bem. Passou seus últimos vinte e quatro anos livre da adicção. E “morreu fazendo o que mais amava: salvar vidas”, escreve sua mulher.

Marco nasceu em São Paulo (SP) e faleceu em São Paulo (SP), aos 55 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela esposa de Marco, Isabel Cristina Ramos. Este tributo foi apurado por Milena Flor Tomé, editado por Joaci Pereira Furtado, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 3 de agosto de 2020.