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Maria Aparecida Alves de Sousa

1948 - 2020

Maria Aparecida, tinha nome de Santa mas era uma flor, a florzinha da família.

Nascida em Bocaiúva, cidadezinha no interior de Minas, cresceu na roça onde não tinha condições de estudar. Mas, isso não impediria Cida - com seus olhos de menina -, de aprender a ler e escrever o mundo que conhecia. Vivia pegando pedaços de papel que encontrava; e, na ousadia de juntar as letrinhas, apropriou-se da leitura e da escrita por conta própria.

Aos 17 anos foi para cidade grande, São Paulo, onde os sonhos da menina Cida ainda se faziam presentes. Teve quatro filhos, dedicou sua vida ao cuidado e amparo da família, fazia tudo com perfeição.

Honrando sua natureza obstinada, fez supletivo; logo depois se formou em Enfermagem estendendo esse cuidado "a serviço da humanidade, respeitando a dignidade e os direitos da pessoa humana" - como aparece explicitado em um trecho do Juramento da Enfermagem.

Ela se sentia feliz ajudando o próximo, mostrava sempre seus dotes de enfermeira, e falava com muito orgulho do tempo que trabalhou servindo; sobretudo do período em que atuou na pediatria, área que Cida adorava.

Aposentada, era uma avó apaixonada pelos netos, adorava gravar vídeos e mandar mensagem pelo aplicativo de conversas.

Festas? Ela as amava! Era a desculpa certa para reunir toda família. Quando ela chegava, todos falavam: "Chegou a Cida, a tia Cida, sempre alegre e muito bem arrumada!".

No Natal e no Ano Novo ela só queria ver todos juntos!

"Maria Fez jus ao próprio nome, gostava de 'se aparecer', uma bela flor,
dona de uma vaidade linda!", declarou por fim sua filha Roseli.

Maria nasceu em Bocaiuva (MG) e faleceu em Diadema (SP), aos 72 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Maria, Roseli Aparecida de Alves de Sousa. Este tributo foi apurado por Julia Santos, editado por Raissa Reis, revisado por Ana Macarini e moderado por Rayane Urani em 14 de fevereiro de 2021.