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Maria Cícera da Silva Lopes

1968 - 2020

Deixava o ar com aroma de Lilly, ao passar cantarolando uma canção do Raça Negra.

A Cida, como Maria Cícera era conhecida, era apaixonada por cozinha e fazia uma lasanha maravilhosa, muito apreciada por familiares e amigos. Era também respeitada como “bartender”, responsável pela melhor caipifruta das festas da família. Seus drinks eram divinos.

A caipifruta de seriguela era uma das preferidas. Mas também amava fazer a de morango e a de kiwi. Era uma mulher básica, das cores primárias, short e blusa. Fazia uma comida que era tudo em sua vida.

Esses dois talentos, entre muitos outros, marcaram sua história. Orgulhava-se tanto dos seus drinks como de estar sempre cozinhando.

Acredita que de tão nervosa pela notícia de que seria avó de uma menina, essa cozinheira se queimou?! Desde que Cida assistiu ao nascimento de Anna Sophia, a neta se tornou sua emoção mais vívida. A menina teve a avó só para si por oito anos. Somente alguns poucos meses antes de Maria Cícera partir, foi que chegou outra netinha, a Cecília. Cida curtiu a última por muito pouco tempo, mas ainda assim, intensamente.

Cada um de seus filhos homens deu a ela uma menina por neta... e foi a nora Nadiane quem contou toda essa história. “Mãe, filha, irmã e avó muito querida. Trabalhadora e amada por todos”, ela resume.

Um brinde a ela, que fez da simplicidade, poesia... com gostinho de seriguela.

Maria nasceu em Maceió (AL) e faleceu em Maceió (AL), aos 52 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela nora de Maria, Eula Nadiane. Este tributo foi apurado por Hélida Matta, editado por Hélida Matta, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 16 de agosto de 2020.