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Maria da Graça Genaro

1950 - 2020

"Agora vou tomar meu café, apesar de acordar todos os dias na hora do almoço" era a frase que Maria mais dizia.

Era muito cedo quando a professora Maria das Graças acordava, e ainda assim ela fazia questão de dizer: "agora vou tomar meu café”. Eram colocações como esta, feitas despretensiosamente, em momentos cotidianos, que davam a ela sua principal característica: a simpatia. Não havia quem não a lembrasse dela assim.

Sempre que sobrava um tempinho no dia a dia atribulado, Graça dançava. Dona de pés de valsa, apostava sem medo na dança de salão e, embalada pela música, distribuía sua simpatia para quem tivesse a sorte acompanha-la nos passos.

Mas se não dava para dançar, tudo bem: a professora corria para a praia, um dos seus lugares favoritos, onde podia entrar em contato com a natureza e com pessoas, que tanto amava ter por perto.

Esse amor pelo outro era tão grande que Graça sempre tinha a casa cheia de gente. E nem precisava ser uma ocasião especial. Para ela toda a oportunidade de conviver já era um acontecimento que merecia ser celebrado, principalmente ao lado de suas companhias favoritas: as filhas Fabiana e Renata e o neto Lucas, a quem dedicou enorme amor cuidado, todos os dias.
Como nem sempre era possível estarem juntos, Graça dava seu jeito de trazer para perto aqueles que amava. Sem cerimônia, pegava o telefone e punha em prática essa arte que dominava com maestria: a conversa. Podia ser por uma ligação ou por mensagens de whatsapp, a professora sempre conseguia estar presente na vida de quem amava.

Por esse cuidado que dedicou às pessoas, Graça ficou conhecida também pela amizade e pela generosidade que espalhou por seu caminho. Ficarão para sempre como as lições mais importantes dessa professora tão querida.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Maria, Fabiana Genaro. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Sarah Fernandes, revisado por Didi Ribeiro e moderado por Rayane Urani.

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Maria era a pessoa mais alegre e guerreira. Adorava pessoas e amava jogar conversa fora. Era muito amiga, sempre muito paciente ao ouvir os problemas dos outros. Recebia a todos da melhor forma possível. Tinha dias difíceis quando se sentia só, por estar longe da família, mas compensava pelo tanto que se falavam ao telefone. Era muito ativa, extremamente vaidosa e aparentava ser 20 anos mais jovem. Não faltava a academia mesmo estando sem a menor vontade de ir. As únicas coisas que faziam ela esquecer os problemas era estar ao lado do único neto ou na dança. Como amava dançar... e quanto paixão pelo seu amorzinho Lucas. O que as pessoas mais diziam era "nossa como ela é bonita, nem parece que tem 69 anos" e é verdade. Ela não aceitava envelhecer e talvez por isso Deus tenha a levado ainda muito bonita! Ela era especial pra todos, porque por onde ela chegava transbordava luz e vida.

Maria nasceu em São Paulo (SP) e faleceu em Santos (SP), aos 69 anos, vítima do novo coronavírus.

História revisada por Rayane Urani, a partir do testemunho enviado por filha Renata Genaro Marques, em 1 de maio de 2020.