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Marlene Pinheiro da Cunha

1964 - 2021

Para ela, domingo era dia de reunir a família em casa, com música e todo mundo falando ao mesmo tempo.

Esta é uma carta aberta de Ianca para sua tia, Marlene:

Conheci a Marlene em 2015 por meio das redes sociais. Ela foi a responsável por me reaproximar da minha família paterna. Sempre muito atenciosa comigo, em 2019 me levou para conhecer a minha avó e o restante da família. Esse foi o maior presente que poderia ter me dado.

Marlene trabalhava no setor oncológico da FAP e era comum encontrar seus pacientes pelas ruas e ouvir como ela era uma peça importante para o tratamento deles. Ninguém queria que ela se aposentasse.

Em um dos meus aniversários, ela fez uma chamada de vídeo para que minha avó, que havia sofrido um AVC, cantasse parabéns pra mim - uma lembrança que jamais esquecerei. E assim era a relação da minha tia com toda família, extremamente cuidadosa. Foi uma excelente mãe, uma filha zelosa e um ser humano incrível, mesmo doente jamais abandonou seu posto. Era uma fortaleza.

A dona da melhor energia, do melhor sorriso e do melhor abraço. Todo dia eu tinha duas certezas: de que o sol iria nascer e de que ela iria me mandar mensagem de bom dia. Agora ela toma o lugar da estrela mais brilhante do céu.

Marlene nasceu em Campina Grande (PB) e faleceu em Campina Grande (PB), aos 57 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela sobrinha de Marlene, Ianca Fernanda da Silva Pinheiro. Este tributo foi apurado por Larissa Reis, editado por Mariana Nunes, revisado por Lícia Zanol e moderado por Rayane Urani em 6 de setembro de 2021.