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Marta Maria de Lima

1955 - 2020

Se o outro não estivesse bem, ela também não estava.

Como boa taurina, Marta Maria tinha uma personalidade forte, era firme e determinada. Não gostava de dar trabalho a ninguém. Desde 2012, porém, vinha sofrendo com limitações em decorrência da diabetes e hipertensão.

Não se entregava. Quando era dia de consulta, ia toda satisfeita mostrar ao médico que queria amputar suas pernas que as feridas haviam cicatrizado – e foram muitas feridas nos últimos oito anos.

Dizia que havia herdado do pai, enfermeiro-marinheiro, o dom de cuidar. “Ela sentia muitas dores, mas encarava com sorrisos”, diz a filha Maria Juliana.

Correta demais, não admitia dever nada a ninguém. Estava sempre em dia com seus pagamentos. “De onde tira e não se coloca, um dia acaba”, era seu lema.

Marta Maria era fã de praia, caldinho, caranguejo e cerveja. O gênio forte não era páreo diante de uma boa mesa. “Ela podia estar morrendo de raiva de alguém, mas quando chegava a hora da refeição esquecia de tudo”, conta a filha.

Mãe de quatro filhas, avó de seis netos e bisavó de dois bisnetos, foi a companheira leal de Sebastião Dino da Silva Filho, homem que cuidou dela até seus últimos dias.

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Ricardo Santos, sobrinho de Marta, conta que a tia Marta era "uma pessoa alegre e que adorava viver. Era uma pessoa que amava a família e seus amigos", e finaliza: "Que Deus esteja com ela no melhor lugar!"

Marta nasceu em Recife (PE) e faleceu em Recife (PE), aos 65 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha e pelo sobrinho de Marta, Maria Juliana da Silva Soares e Ricardo Santos. Este tributo foi apurado por Rayane Urani e Lígia Franzin, editado por Ticiana Werneck, revisado por Paola Mariz e Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 21 de agosto de 2020.