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Mauro Antonio Paulino

1953 - 2020

Gostava de ouvir música sertaneja e de fazer churrasco em casa todo final de semana.

Sobre sua infância sabia-se apenas que ele nascera no interior de São Paulo, e que era o único filho homem e o caçula de uma família formada com mais quatro irmãs. Preferia falar sobre as recordações do seu tempo de juventude, quando jogava bola com os primos.

Foi casado a primeira vez com Marli, e a segunda com Cristina, já falecida. Foi pai muito novo, com apenas 17 anos, e teve ao todo seis filhas e um filho: Alexsandra, Patrícia, Cristiane, Daniela, Andrea, Giovana e Mauro Jr.

Era bravo, mas muito bem-humorado, e não era muito de demonstrar afeto, porém sempre fazia o possível para dar atenção para todos os filhos. Seu amor se traduzia em cuidado nos pequenos detalhes e agrados, como ir ao supermercado só para buscar as coisas que a filha Giovana gostava de comer, como ela mesma conta.

Durante o tempo em que Giovana foi morar na casa dele, após a morte de sua mãe, seus laços se estreitaram ainda mais. Juntos assistiam à TV, ouviam músicas, tomavam sol ou ficavam na piscina, acompanhavam programas de esportes e jogos de futebol, sempre incluindo também a participação do filho.

Mauro se permitiu viver muitos prazeres. Gostava de ficar em casa tranquilo escutando música e tomando uma cervejinha. Amava cuidar dos passarinhos e das galinhas, e isso representava uma verdadeira terapia para ele. Nos churrascos em casa, conversava e dava boas risadas com os amigos e parentes, sempre um assunto relacionado a mulheres e futebol, sem nunca deixar de exaltar sua paixão pelo Palmeiras, herança que deixou para os seus filhos.

Dentre tantas paixões, a maior mesmo era pela profissão de bombeiro. Gostava muito de contar as histórias dos resgates de que participou e da sensação de dirigir o caminhão dos bombeiros. Durante um período de sua vida, ele morava no interior e trabalhava em São Paulo, e sempre dava um jeito de levar os filhos para a capital para visitar o quartel. Eles ficavam encantados com as carpas de um laguinho que lá havia.

Conservou dos tempos na ativa o papel de protetor, e Giovana se recorda de uma história vivida com ele, quando ele conseguiu escapar de um engavetamento na Rodovia Anhanguera, por onde viajavam todos os dias. “Senti que ele salvou a minha vida e a dele também, me emocionei muito naquele momento e até hoje sou muito grata por isso. Fico feliz de ter lhe agradecido quando isso aconteceu.”

São muitas as lembranças que ela conserva vivas na memória: A música “Pequetita” da dupla Duduca e Dalvan, que ele cantava para uma das filhas quando ela ia trabalhar em São Paulo; o amor pelo Palmeiras, os passarinhos, os churrascos, as músicas sertanejas antigas.

Um dia muito especial relembrado pela família foi quando, já em meio ao isolamento devido à pandemia de Covid-19, teve a chance de conhecer o netinho pessoalmente e reencontrar os filhos, com quem estava se encontrando apenas via vídeo. Todos os presentes ficaram muito emocionados.

Mauro ensinou aos filhos, pelo seu exemplo, a virtude de ser forte como ele sempre foi, e, mais ainda, a valorizar os momentos em família que ele prezava tanto. Os churrascos de final de semana fortaleceram, com certeza, os laços afetivos familiares.

Mauro nasceu em Leme (SP) e faleceu em São Paulo (SP), aos 67 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Mauro, Giovana Ribeiro Paulino. Este tributo foi apurado por Giovana da Silva Menas Muhl, editado por Vera Dias, revisado por Fernanda Ravagnani e moderado por Rayane Urani em 8 de janeiro de 2022.