Sobre o Inumeráveis

Max Douglas Oliveira Aranha

1987 - 2020

Não gostava de planejar viagens com antecedência e surpreendia todos com as arrumações de mala repentinas.

Sujeito sereno, boa praça, inteligente e amado pela enorme família – inclusive com a que criou laços – e por amigos de longa data. De muitas qualidades, todos os instantes com Max foram inesquecíveis e contribuíram para usufruir do melhor que ele podia oferecer em cada fase de sua trajetória.

Em todas as etapas de sua vida, de forma paciente, amenizava situações. Tinha o jeito certo de consolar quem precisasse de um ombro amigo. Quando o cenário se complicava, dizia com a voz mais pacífica do mundo: “Vai dar certo, te acalma”. Parecia saber que as coisas se ajeitariam de algum jeito e, de fato, se encaixavam. Como uma boa engrenagem.

Também foi de pouco em pouco que, com muita força de vontade, conquistou sua loja de acessórios automotivos. Formado em Administração, geria o estabelecimento como toda dedicação que era necessária. Seu pai, Antônio, que foi mais que um conselheiro para o filho, reforça que a prata da casa é o atendimento gentil e cordial. Fazia o que gostava e tornou-se referência em assuntos automobilísticos.

Era o trabalho que possibilitava a tranquilidade dos fins de semana memoráveis em cartões-postais do Maranhão. Não gostava de planejar com muita antecedência, e surpreendia a todos com as arrumações de mala repentinas em vésperas. Consigo, levava a esposa, Bruna, com quem dividiu a vida por 14 anos, seus filhos, Luiz Antônio e Felipe, e, quando havia a possibilidade, seu jet ski, que gostava de pilotar. Não fazia manobras muito arriscadas, mas dizia: “Gosto demais de andar 'de boa' no 'jet', sentir a brisa e olhar o mar infinito”.

Já na capital maranhense, seu prazer cotidiano era o momento em que seria “engolido” pelas crianças. Agora, essas lembranças vão ficar guardadas em fotos que mostram a cumplicidade dos filhos com o pai; e o amor, explícito em imagens – e em tatuagens.

Enquanto Felipe pergunta repetidamente para Bruna quando Max irá voltar, Luiz, mais contido, escreveu um bilhete no Dia dos Pais:

“Pai, eu e Felipe estamos com muita saudade. Acho que só Deus para mandá-lo aqui para baixo. Eu gostava das suas piadas e brincadeiras. Isso está fazendo falta.”

Max nasceu em São Luís (MA) e faleceu em São Luís (MA), aos 32 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela cunhada, comadre e amiga de Max, Joana Maciel. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Lucas Eduardo Soares, revisado por Gabriela Carneiro e moderado por Rayane Urani em 23 de agosto de 2020.