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Messias Martins Moreira

1966 - 2020

Acreditava tanto em Deus, que dobrava os joelhos na cama, de madrugada.

O maior sonho de Messias era que os indígenas tivessem um pedaço de terra e uma escola. E por isso, lutou até o fim da vida.

Nasceu na comunidade de Taboca, no Amazonas. Tinha 14 irmãos, três filhos e uma neta. Conseguiu reunir 700 famílias, de 35 etnias da região, ao criar o Parque das Tribos, o primeiro bairro indígena de Manaus, em 2012. Logo foi reconhecido como o cacique Messias Kokama, um dos grandes defensores dos direitos indígenas.

Era pastor da Igreja Pentecostal da Missão. Acreditava tanto em Deus, que dobrava os joelhos na cama, durante a madrugada.

Com personalidade aguerrida e corajosa, carregava a dor da falta de apoio do governo à luta pela moradia indígena. O pastor sabia como a educação pode transformar vidas.

Orgulhava-se de, aos 40 anos, ter terminado o Ensino Médio e começou a construir uma escola na comunidade. Messias Kokama faleceu antes de ver sua inauguração. Mas os 35 povos que uniu planejam nomeá-la em sua homenagem.


Sobre o povo Kokama
O povo Kokama-kokamira habita a Amazônia há mais de 2 mil anos. Hoje estão espalhados pela tríplice fronteira ocupando, no Brasil, a região do alto rio Solimões, com população de cerca de 10.000 pessoas. Além do português, falam a língua originária, kokama, que vem sendo ensinada também como forma de preservação e resistência de sua cultura.

Messias nasceu em Taboca (AM) e faleceu no Parque das Tribos (AM), aos 53 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Messias, Miriam da Silva Moreira. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Aline Khouri, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 11 de julho de 2020.