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Nilton de Lima

1940 - 2020

Tinha a leveza no ser e seguia a vida sorrindo.

Os sorrisos mais gostosos, que deixaram doces lembranças e saudade em toda a família.

Encontrava na alegria sua força de viver. Estava sempre risonho e disposto a ajudar. Tinha no sorriso e nas palavras de conforto, uma forma de fazer os dias mais especiais dos que estavam seu lado. Era um homem leve e feliz com a vida que levava.

"A saudade que tenho dele me faz chorar. Mas quando acaba o choro, lembro das conversas, das risadas e não consigo parar de rir. Sim, puxei a ele, tenho riso fácil também!", lembra a filha Ana Cristina.

Nilton era marceneiro, homem forte, que não conseguia ficar parado e doença passava longe. A filha lembra de passar a infância vendo, junto aos irmãos, o pai fazendo móveis na varanda da casa.

Teve quatro filhos, que deram a Nilton 12 netos e oito bisnetos (uma infelizmente não sobreviveu).

O filho Carlos, seguindo os passos do pai, também tornou-se marceneiro e trabalharam juntos, várias vezes. Mas, entrega Ana Cristina, que o xodó do pai sempre foi a caçula, Fernanda.

"Fecho os olhos e lembro do gosto dos pães doces que ele trazia de São Lourenço... memória inesquecível. Ele amava peixe. Mas sua especialidade era uma cocada, que ficava maravilhosa. Quanto a uma marca registrada do meu pai? Sem dúvida era seu lado risonho de ser! Até o celular, ele já atendia rindo... esse era meu pai amado", recorda, com saudades, a filha.

Era um homem rústico, mas o passar dos anos lhe fez bem. Mas não foi "uma questão de tempo"... os netos foram nascendo e amolecendo seu coração. Os bisnetos encantaram-no ainda mais. Eram todos sua maior paixão!

Amava ficar com esses netos e fazer todas as vontades deles! Comprava sempre sorvete, que, aliás era a sua sobremesa preferida... balas de caramelo para os meninos e, claro, para ele também! No bolso, tinha sempre umas de hortelã, e vivia rindo com eles.

"Eu, como filha, pude sentir a mudança dele, no decorrer da vida, e era nítido como ele se tornava cada dia melhor: os pensamentos, as conversas... Era uma alegria quando estávamos juntos", conta Ana Cristina.

Divertido, Nilton tinha uma frase que adorava repetir: "Oh, bicho rudo!", e ria muito depois!

Uma de suas paixões também eram os filmes antigos, os de faroeste. Mesmo que fosse reprise, ele assistia. Quando já estava com o vírus e cansado, o último filme que viu, em companhia do filho, Beto, foi "O Dólar Furado", de 1965, que ele amava.

Nilton nasceu em Canguaretama (RN) e faleceu em Duque de Caxias (RJ), aos 79 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Nilton, Ana Cristina Lima de Carvalho. Este tributo foi apurado por Denise Pereira, editado por , revisado por Eduardo Frumento e Lígia Franzin e moderado por Eduardo Frumento em 23 de maio de 2020.