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Nilza Cristina Chiusoli de Miranda

1956 - 2020

De sorriso franco e coração acolhedor, preocupava-se com o frio nos pezinhos dos idosos - e lhes doava meias.

Nilza era uma mulher decidida e corajosa. Aos 17 anos, resolveu sair de casa, em São Carlos, para buscar seus próprios caminhos em Santos, também no estado de São Paulo. Na nova cidade, conheceu uma amiga que a acolheu e ajudou a empregá-la.

Pouco tempo depois, conheceu seu futuro marido, José Leonel de Miranda. Com apenas três meses de relacionamento, resolveram se casar, mesmo com parte dos familiares sendo contra.

Segundo José Leonel, a esposa "tinha um sorriso contagiante" e sempre se colocava à disposição para ajudar seus amigos. Nilza também possuía muitas habilidades, da cozinha ao artesanato. “Era uma disposição sem fim para o trabalho e cuidava dos filhos como uma loba”, conta ele.

Nilza gostava de idosos e fez muitos trabalhos de caridade. Preocupava-se com o frio "nos pezinhos deles" e pedia ao marido para que comprassem meias quentes. "Ela saía do asilo feliz e chorosa, era muito emotiva", diz ele, e conclui: “Ela acompanhava, com preocupação, o avanço da pandemia, chorava pelas vítimas. Hoje choro por ela.”

Que a memória do sorriso e do entusiasmo de Nilza os acompanhem para sempre, além de meias quentinhas no futuro.

Nilza nasceu em São Carlos (SP) e faleceu em Bombinhas (SC), aos 64 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo marido de Nilza, José Leonel de Miranda. Este tributo foi apurado por Andressa Vieira, editado por Isabela Andrade, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 28 de julho de 2020.