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Odácio Bastos

1964 - 2020

Hoje o povo Ticuna chora uma lágrima só. | Nhuma i ticunagü arü duūgü rü wüi i autaã nüna yema.

Odácio Bastos, ex-cacique da aldeia Filadélfia, foi liderança forte e aguerrida no movimento indígena do Alto Solimões. Já nasceu guerreiro. Amigo de meu pai, também se tornou um amigo para mim, sempre disposto a apoiar as causas que representavam os Ticunas.

Nunca se negou a lutar e nem mediu esforços para acreditar que nosso povo ainda retomaria seu lugar de povo forte, resistente e valente como nos anos 70 e 80. Odácio foi aquela liderança de voz forte e potente que brilhava nas grandes reuniões e por diversas vezes conseguia acalmar todas as partes divergentes.

Deixa filhos, filhas, familiares, lideranças e muitos amigos.
Sabemos que agora Odácio está no mundo dos encantados torcendo para que continuemos as lutas e nos cuidemos.

Descanse em paz, meu amigo!

Hoje mais uma vez, o povo Ticuna chora uma lágrima só.

Texto de Mislene Metchacuna Martins Mendes, editado por Giovana Madalosso.

Os Ticunas são o povo indígena mais numeroso da Amazônia, hoje totalizando 50 mil pessoas. Estão espalhados em cerca de 60 aldeias, 42 delas entre Tabatinga e São Paulo de Olivença, na região próxima a nascente do Igarapé Eware, seu local de origem. Além do português, falam a língua ticuna.

Odácio nasceu em Benjamin Constant (AM) e faleceu em Manaus (AM), aos 56 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela amiga de Odácio, Mislene Metchacuna Martins Mendes. Este texto foi apurado e escrito por Giovana Madalosso, revisado por Didi Ribeiro e moderado por Rayane Urani em 10 de junho de 2020.