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Olinda Menezes Nascimento

1924 - 2020

A matriarca flamenguista que gostava da casa cheia para contar suas histórias.

Dona Olinda não tinha prazer maior do que reunir em sua casa toda a família, incluindo netos, bisnetos e agregados. “Ela gostava de receber o maior número possível de pessoas, ficava radiante”, conta a neta que recebeu o mesmo nome da avó, Olinda.

O Natal sempre foi o ápice do ano. Nessas ocasiões, Dona Olinda contava histórias de sua vida, que por um tempo foi sofrida, mas que superou em alegrias.

Torcia com paixão pelo Flamengo e pela Portela. Orgulhava-se das viagens que fez e dizia que “Muitos não colocaram os pés onde ela botou”. Contava da honra de ter recebido uma carta de Getúlio Vargas e que graças a ele, além de muito trabalhar lavando e engomando, conquistou a casa em que morou até seu último momento. Lembrava com carinho de ter recebido rapidamente o cantor Roberto Carlos em sua casa, e do telefonema do cantor Agnaldo Timóteo no seu aniversário de 90 anos, que cantou para ela. “Dizia que já tinha visto e vivido muita coisa nesses 96 anos, mas no fundo sempre achava que teria mais”, conta Olinda, que, ao nascer saiu das mãos do obstetra direto para o colo da avó. “Fui também a última pessoa que ela viu antes das sedações e de efetivamente partir. Partir para sua última viagem”.

Olinda nasceu Nilópolis (RJ) e faleceu Rio de Janeiro (RJ), aos 96 anos, vítima do novo coronavírus.

História revisada por Ticiana Werneck, a partir do testemunho enviado por neta Olinda Menezes Nascimento, em 6 de maio de 2020.