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Paulo Montelo Aguiar

1960 - 2020

Os filhos e as netas eram para ele satisfação, orgulho e, sobretudo, sua motivação para a vida.

Tricolor ranzinza, não perdia um jogo do Fluminense, ao time rival deu o divertido nome de Filomeno. O Sampaio Corrêa era sua paixão no futebol maranhense. Em roda de amigos, costumava dizer “só vou morrer quando tiver 180 anos!”

Nascido e criado em Miranda do Norte, filho de uma família de 13 irmãos, rodou o Brasil de Norte a Sul, percorreu o país de São Paulo a Itaituba. Foi peão de obra, garimpeiro, dentista-prático, taxista e operador de máquinas pesadas.

Boa praça, amigo dos amigos e boêmio inveterado, sentia-se realizado quando estava em uma roda de amigos, amante de um bom bate-papo regado a muito chope e à boa música. Suas canções e cantores prediletos falavam e denunciavam sua história e sua trajetória.

Sempre alegre e divertido, apreciava contar causos e histórias pessoais, suas experiências e vivências eram contadas sempre com muito prazer e satisfação.

Esperto e extrovertido, tinha resposta pronta para todo e qualquer questionamento. Espirituoso, estava sempre com uma carta na manga, uma boa tirada, uma piada pronta para entreter, alegrar e divertir os muitos amigos.

De personalidade forte, tinha opinião formada sobre tudo na vida e não se deixava levar por maioria. Altivo e certo de seu potencial e de seu valor, nunca se deixou intimidar. Ficou conhecido também por ir direto ao ponto, sem rodeios ou meias-palavras.

Aos amigos mais chegados e aos familiares, fazia sempre questão de exaltar e destacar seu orgulho, sua satisfação maior, o motivo de sua vida: os quatro filhos e as três netas, a quem venerava.

Foi, sem dúvida, um pai e um avô apaixonado e dedicado que deixa muita saudade.

“Deixa baleia cortar água”, dizia Paulo Montelo.

Paulo nasceu em Miranda do Norte (MA) e faleceu em São Luís (MA), aos 60 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela irmã de Paulo, Gracimar Aguiar Pereira. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Abimael da Costa Pereira, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 14 de fevereiro de 2021.