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Poani Higino Pimentel Tenório

1955 - 2020

Um grande educador, que observava desde formigas até estrelas.

Ele sempre dizia que a vida é o ar, o rio e a floresta. Sua comunidade, chamada Curica, na foz do Curicuriari no Rio Negro (AM), marcava a passagem do tempo, ao observar constelações.

Higino era um líder e um grande educador. Foi fundamental para a implementação da educação escolar indígena e para a recuperação da língua tuyuka. Na década de 90, ajudou a fundar a Escola Utapinopona-Tuyuka, que inspirou iniciativas nacionais semelhantes.

Tinha um brilho no olhar, alegria em aprender e em ensinar. O professor queria oferecer o riso às crianças indígenas amazonenses e gostava de criar brincadeiras para transmitir a cultura da comunidade às novas gerações.

Usava canoas e falava de formigas para inserir o conhecimento, na prática e era uma ponte entre a cultura indígena e outras culturas.


Sobre o povo Tuyuka

Os tuyuka se autodenominam dokapuara, utapinõmakãphõná ou umerekopinõ. Utapinoponã significa "filhos da cobra de pedra". A etnia tem uma população estimada de 815 pessoas e vive no estado do Amazonas e na Colômbia. Os tuyuka são conhecidos pelo multilinguismo e há falantes de tuyuka, tukano, bara, yebamasa, além do português ou espanhol.

Poani nasceu na aldeia São Pedro, no Alto Rio Negro (AM) e faleceu em Manaus (AM), aos 65 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela amiga de Poani, Marta Maria Azevedo. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Aline Khouri, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 22 de julho de 2020.