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Roberta Caine Rebouças

1993 - 2020

Uma nordestina apaixonada por São Paulo e por um paulista. Viveu, amou e só deixou amor e luz.

Ainda muito jovem, Roberta saiu do nordeste para morar em São Paulo. Tinha muitos sonhos, inclusive o de fazer faculdade, e nem imaginava que conheceria, na cidade, o amor de sua vida ─ Leandro ─, com quem teria sua primeira filha, Laurinha.

“Roberta era doce e meiga, não tinha maldade, era uma menina inocente. Alegrava a vida das pessoas ao seu redor”, diz sua tia Maria das Graças.

Era filha única. Amava as crianças e desenvolvia trabalhos com elas na comunidade onde morava. Sempre ajudava a organizar atos e eventos relacionados às crianças. Alegria e disposição não lhe faltavam. Ela gostava muito de cuidar de todos ao seu redor.

Um destino inesperado e cruel, fez com que todos os sonhos de Roberta fossem interrompidos. Ela estava gestante de sua primeira filha, Laurinha, quando adquiriu a Covid-19. Foi internada, intubada em estado grave e o sonho de ter sua filha nos braços foi cancelado. Laurinha foi sepultada enquanto sua mãe seguia lutando pela vida.

O quartinho da filha, que Roberta organizou montou com suas economias, ficaria vazio, assim como a vida dos que a aguardavam com esperança.

Não se passaram muitos dias até que Roberta se deixou levar ao encontro de sua filha. Era um chamado, não havia como negar.

Roberta, “nossa estrela de luz”, como conta a tia Maria das Graças, "partiu deixando um vazio enorme no coração dos que a amavam e que não puderam vê-la no dia da partida."

A tia se despede de Roberta dizendo: "Ela se foi, mas deixou um rastro de amor e de luz em nossas vidas.”

Roberta nasceu em Tibau (RN) e faleceu em São Paulo (SP), aos 26 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela tia de Roberta, Maria das Graças de Alencar. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista , revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 18 de novembro de 2020.