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Rodrigo Moreira Torres

1991 - 2021

Gostava de se aventurar na cozinha e uma de suas maiores felicidades eram os momentos em família.

Todo sábado, Rodrigo enviava mensagem convidando a família para um churrasco, que ele liderava: era o chefe da churrasqueira, o único com permissão para comandá-la.

Certa vez, em um desses encontros, um dos primos de Rodrigo pulou na piscina e acabou espirrando água na churrasqueira, o que fez com que o fogo do churrasco se apagasse. O gênio forte de Rodrigo entrou em ação e ele começou a desmontar a churrasqueira, pronto para ir embora, mas a vontade de estar junto com as pessoas queridas e o amor pela família sempre foi tão grande que qualquer situação adversa se tornava pequena demais. Rodrigo montou a churrasqueira novamente, reacendeu o fogo e a festa continuou. Qual era mesmo o problema? Não importava mais, isso já tinha ficado no passado.

Rodrigo tinha a personalidade ardente de um irmão caçula e era considerado o mais mimado pela mãe, fazendo jus ao posto de mais novo entre os três irmãos – inclusive, quando tinha nove anos, ficou chateado e empurrou sua bicicleta escada abaixo, mas não levou nenhum castigo. Entretanto, essa característica marcante era sua grande amiga na busca pelos seus objetivos. Ele não sabia o que era sonhar pequeno; seja o que for que estivesse pensando, pensaria ainda maior, e não media esforços para conquistar o que queria. Era extremamente obstinado e corajoso.

Em sua vida profissional, Rodrigo, era muitíssimo competente e responsável, tornando-se coordenador de logística em uma grande empresa, onde havia conquistado uma promoção que almejava muito, mas que infelizmente não chegou ao seu conhecimento a tempo. Também era o braço direito de seu gerente, Carlos. Os dois eram como Dom Quixote e Sancho Pança, parceiros leais, cuja amizade atravessava as paredes da empresa e qualquer outra barreira que pudesse existir.

Através do seu empenho, Rodrigo conquistou sua casa própria, um grande sonho que tinha. Moravam com ele, Lucia, com quem estava junto há sete anos, e seus dois cachorros, Ragnar e Ravena, que eram verdadeiros filhos para Rodrigo. Seu amor pelos animais era enorme e ele nutria um carinho desmedido para seus companheiros de quatro patas.

E quando o assunto era música, ele dava um espetáculo. Vindo de uma família de músicos, Rodrigo tocava contrabaixo, talento que adquiriu por influência do irmão Diego, que o incentivou a ter aulas de música na infância. Os três irmãos, Diego, Thiago e Rodrigo, tocavam na igreja durante a infância, junto com a mãe, Marcia, que encantava com sua voz. O pai dos meninos, Arnou, também não ficava de fora: era o guitarrista da família. Por conta da rotina agitada de todos, não eram tão comuns os momentos que se reuniam como banda fora da igreja, mas na comemoração da virada dos anos 2000, os cinco estiveram juntos, cada um com seu instrumento e sua vocação. Para Arnou, era um orgulho imenso ver todos os filhos na música. Para Marcia, sua maior realização era acompanhar todos os filhos seguindo o caminho de Deus, como ela ensinou.

Rodrigo foi um exemplo de homem, principalmente por todo o amor que doou, pelo seu compromisso com Deus e por toda determinação que colocava em cada sonho que decidia alcançar. Sua partida é sentida profundamente, mas, além da saudade, Rodrigo deixa um legado de força que inspira seus irmãos, seu pai, sua família, amigos e todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.

A mãe de Rodrigo, Marcia, também partiu por conta do novo coronavírus. O amor que os dois sentiam era incondicional e os acompanham para além desse plano. Para conhecer mais sobre a história dela, visite a homenagem a Marcia Moreira Torres.

Rodrigo nasceu em Duque de Caxias (RJ) e faleceu em Duque de Caxias (RJ), aos 29 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo irmão de Rodrigo, Diego Moreira Torres. Este tributo foi apurado por Criles Monteiro, editado por Camilla Campos Trovatti, revisado por Francyne Nunes e moderado por Rayane Urani em 6 de junho de 2021.