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Rosauria do Carmo

1960 - 2020

Amava falar de Jesus, estava sempre disposta a ajudar. Seja com uma palavra, um alimento ou um cobertor.

“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.” (2 Timóteo 4:7-8)

Rosauria do Carmo, a Rosa, era missionária. Escolhera louvar a Deus como modelo de vida e assim o fez. Para isso, gostava de espalhar a palavra d’Ele por onde estivesse. Era esse o seu chamado de vida.

Era a tia perfeita, alegre, feliz e risonha que tinha uma obra na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro.

Nas pessoas, em que teve contato, Rosa guardou a memória de sempre querer ajudar e, como diz a Bíblia, pode ter certeza de que combateu o bom combate.

Jornalista desta história: Josué Seixas.

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Os relatos abaixo foram feitos pela sobrinha Fernanda, com lágrimas nos olhos:

"Tia Rosauria, você foi uma pessoa muito especial pra mim e para centenas de pessoas! Você marcou essa geração com a sua ousadia, transparência, intrepidez e eloquência (mesmo sem ter feito uma faculdade). Sempre se destacava, em cada lugar que estivesse. Não tinha como não notar a sua presença, pois era um ser humano que emanava muita luz e levava a vida de uma maneira leve, onde o problema virava piada, consequentemente, as risadas eram companheiras de quem estivesse próximo a você."

"Vivemos momentos incríveis, nas férias da infância e adolescência. Eu, minha mãe e meus irmãos estávamos com você, no Rio de Janeiro. Você sempre proporcionava os melhores passeios, os melhores restaurantes, os melhores presentes para nós. Na hora de voltar para casa, era sempre uma choradeira, eu nunca queria voltar para São Paulo. Era meu sonho, morar no Rio de Janeiro."

"Eu sou grata, pois você me apresentou o melhor dessa Terra: Jesus! Em uma das minhas férias, você me levou para um Encontro de Jovens, e lá eu aceitei Jesus e, desde então, tudo mudou na minha vida."

Dona Rosauria foi uma guerreira, sempre morou sozinha, não tinha filhos e nem marido. Sua dedicação sempre foi em prol da ajuda às pessoas, principalmente, os menos favorecidos. Com amor, preparava comidas especiais e doava, sem querer nada em troca. Não tinha apegos a nada de bem material.

No começo de 2020, a sobrinha Fernanda foi trabalhar no Rio de Janeiro, "minha casa é sua casa! Sua cama já está aqui te esperando. Não se esqueça do sonho que você tinha, durante sua infância e adolescência, o de morar no Rio. Deus nunca esquece dos nossos sonhos", se prontificou de imediato Rosauria.

Os dias de convivência no Rio foram incríveis: conversas, lembranças, testemunhos de fé, passeios... Foi como era antigamente, até que a pandemia chegou e a Fernanda voltou para São Paulo.

Sempre em contato, a tia relatou, em uma de suas conversas, uma gripe, dor na coluna, na nuca e dificuldade para respirar.

"No aniversário da minha filha, estranhei, pois ela enviou apenas uma mensagem: 'Manda beijos pra Sophia, tô sem condições de falar'. Aí, já fiquei preocupada, porque todo ano ela fazia videochamadas, toda feliz e fazendo as graças de sempre. Até que, dias depois foi o meu aniversário, e ela escreveu: 'Que Deus te abençoe todos os dias da sua vida'. Perguntei se ela estava bem, ela disse que não. Estava a caminho do hospital. Pedi para ela colocar máscara, levar álcool em gel e mandar notícias... Foi nossa última conversa."

"Tentei ligar durante toda a tarde. Ela não atendia. Até que consegui falar com a Pastora e fui informada que ela estava intubada, em estado grave. Foi muito doloroso para todos. Muito difícil saber que não a teremos mais entre nós", lamenta Fernanda.

Dona Rosauria deixou o seu legado, que é o amor ao próximo e a convicção de que ela está na Glória, nos braços do Pai, infinitamente melhor que nós, onde não tem sofrimento.

Rosauria nasceu em São João Nepomuceno (MG) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), aos 60 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela sobrinha de Rosauria, Fernanda. Este tributo foi apurado por , editado por , revisado por Julio Casimiro e Lígia Franzin e moderado por Julio Casimiro em 17 de maio de 2020.