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Sandra Maria da Silva

1947 - 2020

Costureira, tricoteira, boleira. Foi múltipla também no cuidado com os filhos e no exercício da solidariedade.

Sandra criou os cinco filhos ao mesmo tempo em que trabalhava na indústria de calçados. Preparava a comida na noite anterior e deixava para ser esquentada ao meio-dia seguinte. Amiga dos vizinhos, sempre havia alguém que olhava por eles.

Houve períodos em que trabalhou em casa como costureira industrial e, nesses, dividia o trabalho com o cuidado com os filhos Clóvis, Maricene, Luís Fernando, Ulisses e Carlos Alberto.

Prendada, fazia casacos de tricô, panos de prato pintados e com bordas de crochê e costurava roupas para os filhos. Adorava fazer roupas e sapatinhos de tricô e presentear as mamães de recém-nascidos.

Na época de Natal, fazia bolachas confeitadas e refresco de cerveja para a família. Sempre se preocupou com a educação dos filhos, o estudo para ela era "a luz do progresso". "Ela encapava os cadernos e não permitia borrões nem 'orelhas de burro'", relembra o filho Clóvis. O mesmo cuidado extremado com os filhos doou aos netos, para os quais fazia bolo formigueiro, de chocolate e outras guloseimas.

Católica e muito solidária, trabalhou anos como voluntária na Pastoral da Criança do Bairro Primavera, onde pesava e media a altura das crianças, fornecendo a elas a farinha multi-mistura que produzia artesanalmente.

"Era acolhedora e carinhosa com todos, amava estar em família, fazia de tudo para dar o melhor para filhos, netos, esposo e familiares", conta Clóvis. Ele acrescenta que Sandra ajudou muitas pessoas que passaram em sua vida.

Solícita com os vizinhos e enfermos, não media esforços. Batalhou para salvar a filha Maricene, profissional de saúde que faleceu 11 dias antes da mãe.

"Sentimos um grande vazio. Ela cuidava da casa, ajudava com os netos, estava sempre pronta para receber familiares e amigos, era só amor e carinho, em alta intensidade. A casa vivia cheia aos domingos, muito alegre e feliz", diz Clóvis, para quem a principal marca da mãe é que ela "amou aos filhos e netos incondicionalmente". E ele sabe disso.

Sandra nasceu em Novo Hamburgo (RS) e faleceu em Sapiranga (RS), aos 72 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo filho de Sandra, Clóvis Nei da Silva. Este tributo foi apurado por Andressa Vieira, editado por Rosimeire Seixas, revisado por Gabriela Carneiro e moderado por Rayane Urani em 31 de agosto de 2020.