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Stela Bezerra Gonsalves

1942 - 2020

Baiana com alma de candango, viveu a cantar a vida e jamais recusou uma boa pamonha ou um saboroso pequi.

Nascida na cidade de Correntina, na Bahia, assim que se casou foi morar em Brasília. Estudou pedagogia na Universidade Federal de Brasília (UNB) e se tornou professora. Deu aulas de Português e História, e ensinou muito sobre a vida e a arte também. Aposentou-se como orientadora educacional e nunca deixou de estudar. Fez cursos de inglês, decoração de interiores, curso de teatro. Sabia que só a educação muda o mundo, e que é a arte que embeleza a vida.

Dividiu a caminhada durante vinte e oito anos com Valterlino, e quando o casamento teve fim, o amor, a amizade e o respeito foram eternizados. Stela cuidou de Valterlino até os últimos momentos, porque é isso que os amigos fazem. Juntos os dois tiveram os filhos Alex e Luciana, e os netos Lucas e Yasmin. Todos aprenderam com o casal a beleza do amor verdadeiro; e, também, que amigos genuínos são aqueles que cuidam de ter sempre por perto aqueles a quem se quer bem.

Forte, era o pilar da família. Era a ela a quem todos recorriam quando precisavam de ajuda, pois para Stela sempre havia um jeitinho, e ela nunca dizia não. Seu coração generoso sempre dizia "sim". Sim para a família, amigos e mesmo para os desconhecidos; e principalmente, sim para a vida, a bondade e o amor. Íntegra e de bom coração, fazia o bem sem olhar a quem.

Stela, artista que era, tinha o costume de viver cantando, era cantoria por todos os lados! Acordava cantando e dormia cantando. Aonde ia, estava sempre cantando. Sua voz forte e afinada era reconhecida e admirada por todos. E olha que esse "todos" representa muita gente, porque Stela tinha muitos amigos. Cativou diversos corações com o jeito bondoso e a alma leve que só Stela possuía.

Tinha um paladar simples. Gostava de pequi, farofa, carne assada, pamonha. Amava um docinho, mesmo sem poder comer. Mulher de múltiplos talentos, apresentou peças de teatro, falava inglês, decorava casas... Religiosa, era devota fervorosa de Nossa Senhora.

Tia Stela para uns, madrinha Stela para outros, vó Stela para alguns, mãe Stela para vários, amável Stela para todos. Ela era a luz da família, o amor que os unia. Era a cola que juntava os irmãos, as amigas e os familiares. Era ocupada demais para ter tempo para tristeza. Vivia sempre alegre. Radiante, era a luz que iluminava a vida das pessoas.

A baiana mais brasiliense de todos os tempos, com coração gigante e alma de artista, deixa saudade em todos que conheceram e amaram muito Stela.

Familiares e amigos jamais esquecerão do jeito doce e dos multitalentos, que eram suas marcas. Seu legado de bondade e luz viverá para sempre de muitas formas. Em uma peça de teatro, em um pequi saboroso, na força e determinação de alguém que aprendeu com ela. De lá do céu, Stela segue cuidando e amando os seus, intercedendo junto de quem pode: Nossa Senhora tem agora uma ajudante de sotaque baiano, fã de pamonha e com alma de artista.

Stela nasceu em Correntina (BA) e faleceu em Brasília (DF), aos 78 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Stela, Luciana Bezerra Gonsalves. Este tributo foi apurado por -, editado por Bárbara Aparecida Alves Queiroz, revisado por Ana Macarini e moderado por Lígia Franzin em 30 de março de 2021.