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Vagner Onorio de Aguiar

1974 - 2020

Tinha fácil relacionamento. Era querido pela família e amigos. Uma palavra o definia: brincalhão.

Guinão trabalhava como motorista executivo, adorava assistir TV e tinha uma paixão na vida, seu neto.

Foi casado e teve três filhos: Jonas, João e Maria.

Cleuza, a esposa, relembra momentos felizes, regados à muita comida boa, feita por Vagner, um cozinheiro de mão-cheia.

Em seu último contato, ele fez questão de reforçar que amava muito seus filhos e o neto.

Era reclamão, mas gostaria de ser lembrado por ser uma pessoa feliz.
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Desde 2008, prestava serviços como taxista executivo para várias empresas, fazendo do tempo despendido com transporte, um momento rico de boa prosa para alegrar seus clientes.

Dedicado à família, foi casado por 24 anos com Cleuza Reis, que ele chamava de “Baiana”. Tinham um relacionamento de companheirismo, cercado de muitas amizades e finais de semana no sítio do tio, em Ibiúna. Tiveram três filhos: Julia, João e Maria Lorena. De outro relacionamento anterior, Vagner teve o filho Jonas, que se tornou pai de Henrique, o neto de um ano, que era a grande paixão do avô. Era também excelente filho, cheio de cuidados com sua mãe, dona Ylza.

“Tinha tantos amigos que, caso sua morte tivesse ocorrido em tempos fora da pandemia, o velório ficaria lotado”, diz a esposa. Um típico “reclamão”, mas no fundo, um homem amoroso e carismático, que se divertia fazendo piadas com os amigos.

Vaidoso, gostava de se vestir bem, e quando comprava um sapato já saía da loja com o calçado novo, dizendo que era melhor aproveitar logo, pois não sabia o dia de amanhã.

Nas horas vagas, adorava assistir a filmes de ação ou preparar um prato caprichado na cozinha. Seu talento culinário era tanto, que muitos amigos sugeriam a ele, mudar de profissão; pois, seu dom de cozinheiro, incluía na alquimia um ingrediente que fazia a diferença: o amor. Todos que tiveram a sorte de provar diziam: “A feijoada do Guinão não tem igual”. Mesmo as comidas mais simples ganhavam um sabor especial. “Ele gostava de ir além e todos vão se lembrar dele feliz, com alegria”, diz Cleuza.

Vagner nasceu em Osasco (SP) e faleceu em Barueri (SP), aos 45 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela esposa de Vagner, Cleuza Reis de Jesus. Este texto foi apurado e escrito por Iara Mazzeto e Bettina Turner, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 18 de junho de 2020.