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Antônio Orlando Lins de Oliveira

1948 - 2020

Risonho e feliz, fazia comédia com tudo.

Chamado pela esposa como o famoso “Sulipinho”, pelos filhos “Papi, paizinho e meu veio” e pelos amigos e clientes “Seu Antônio ou Seu Lins.” Mas independente da forma em que era chamado o mais importante é como será para sempre lembrado. Quanto amor no coração, quanta alegria e felicidade. Seu prazer era estar com a família toda reunida, amava os almoços de domingo, assim como viajar para a praia ou ir para algum sítio.

Trabalhou como autônomo, vendendo cestas básicas em domicílio, tinha os clientes como amigos, tanto que sabia a história de cada um. Poderia sair de casa pra atender três ou vinte que certamente demoraria a mesma quantidade de tempo, já que amava conversar. Sempre tinha algum conselho pra dar, se existia algum problema, ele já tinha a solução. Caridoso, se notasse que alguém estava precisando de ajuda, ele não esperava nem que pedisse, imediatamente ajudava.

Com a família não era diferente, pai de três lindos filhos e avô da Maria Eduarda, que era seu xodózinho. Enchia o peito de orgulho pra contar que tinha um filho que seguiu seus passos e também era autônomo, uma filha formada em engenharia e a outra filha formada em direito. Esse ano completaria quarenta anos de casamento com a dona Lenilda, com quem sempre compartilhou muito amor, companheirismo e cumplicidade. Seu Antônio e a Sulipinha, que era como ele a chamava e que curiosamente ninguém sabe a origem desse apelido carinhoso, que mesmo ela não gostando por não saber de onde ele tirou essa palavra, acabava achando divertido e retribuía de forma carinhosa o chamando de Sulipinho, eram desses casais bonitos que apesar de muito tempo juntos, ainda andavam de mãos dadas pela rua. Quando ele fazia algo que a deixava brava, ele ria e dizia “Essa minha Sulinha é braba demais, é uma delegada com duas pistolas na mão.” Conta sua filha, Regina.

Divertido, sempre fazia todas as pessoas darem muita risada, inclusive quando lançaram os celulares com “vibracall” e ele ainda não entendia da função, colocou o celular no bolso e estava andando de carro com o seu filho, quando o celular tocou ele se assustou e disse que era para o filho levá-lo para o hospital porque o coração dele estava estranho, quando o filho pediu pra explicar estranho em que sentido ele respondeu “Sei lá, ele está fazendo vrum vrum vrum.” Conta, Regina. Era seu celular vibrando. Depois que o filho explicou sobre a nova função os dois caíram na gargalhada.

Um esquerdista apaixonado, homem honesto, íntegro e trabalhador. Muito amado por sua família e amigos. Dono de um coração gigante e cheio de empatia. Amou e foi muito amado, sempre será. Eterno Sulipinho.

Antônio nasceu Patos (PB) e faleceu Jaboatão dos Guararapes (PB), aos 72 anos, vítima do novo coronavírus.

Jornalista desta história Bianca Ramos, em entrevista feita com filha Regina, em 10 de maio de 2020.