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Eduardo Marcelo Carneiro Araújo

1986 - 2020

Um verdadeiro craque na arte de driblar os obstáculos da vida, sempre com sorriso largo e peito aberto.

Agregador, participativo, alegre, contagiante e dono de uma intensidade peculiar em tudo que se propôs a fazer.

Eduardo era um jovem idealizador assumido, mas sempre com os pés no chão. Foi um verdadeiro craque na arte que nenhum júri ou partida de futebol foi capaz de lhe ensinar: a de driblar os obstáculos da vida com sorriso largo e peito aberto.

Com carreira promissora tanto no setor jurídico quanto no universo futebolístico, Eduardo sempre deu o melhor de si durante seus ofícios, tanto como jovem advogado quanto como diretor executivo do clube de futebol São Paulo Crystal, em João Pessoa.

Seu principal atributo era ser agregador: adorava juntar os mais chegados e os recém-conhecidos para dentro do seu convívio. Sua relação com a família e os amigos era a mais amorosa possível, visto que Eduardo sempre se esforçou para marcar presença em todos os momentos, da alegria à aflição, da derrota à superação.

"Com toda certeza, essa partida precoce deixará um vazio enorme na vida dos que aqui ficaram e que tiveram a honra de conhecê-lo. Mas a certeza de que ele está ao lado do Pai ameniza um pouco nossa dor. Descanse em paz e nos ilumine de onde estiver", se despede a cunhada Ana Karla.

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Agregador nato, juntar pessoas era uma de suas grandes virtudes.

Dudu, Duda, Emoa para os familiares. Era um ser iluminado, alegria estava sempre presente nele, um sorriso largo.

O beijo na testa e a despedida de sempre: “beijo lindão ,fui”, dizia antes de partir.

Esse paraibano tinha tanto apelidos quanto atributos de sobra. Advogado tributarista, desportista, diretor executivo do São Paulo Cristal, filho amado, neto querido, pai zeloso e protetor.

Reunir amigos e familiares, passar um tempo com seu filho, viajar, curtir as praias da vida, ler, jogar videogame... Diversidade era a palavra-chave na vida de Eduardo, não só em relação aos apelidos e atribuições, mas também aos seus inúmeros passatempos.

“Eduardo transformava seus amigos de infância em amigos de todos que ele conhecia e, assim, fazia um rede de amizades que se tornou imensa. Um diplomata nato, sempre gentil e atencioso com todos, pensava no coletivo e assim fazia a diferença. Onde estava conseguia atrair as atenções, tanto pela beleza como pela educação, inteligente sempre tinha algo relevante para falar, gostava de encontrar os amigos o que sempre fazia quando podia”, conta sua mãe, Sônia Silva.

Manias e paixões? Só no singular. Sua mania de acompanhar a fala ao estalar os dedos era perceptível nos vídeos gravados com suas entrevistas. E sua grande paixão, desde pequeno, era o futebol.
Jogou futebol de salão, depois participou ativamente da vida do padrasto como Diretor de Futebol e através dele conheceu o amor pelo Esporte Clube do Recife. Gostou tanto da brincadeira que mergulhou nesse universo desportivo e passou a fazer gestão em futebol. Foi diretor interino do Auto Esporte da Paraíba participou da gestão da Federação Paraibana de Futebol, se candidatou e perdeu por um voto, numa eleição questionada pela Justiça. E tem mais: ao assumir a diretoria do São Paulo Cristal, Dudu elevou o time para a elite do futebol paraibano.
“Eduardo era um visionário, pensava grande, tinha ideias que estão além do que se fala na idade dele.”

Mas seu amor pelo futebol jamais falou mais alto que a responsabilidade. Eduardo foi contra a abertura dos jogos na Paraíba até o último minuto. Dizia que os jogadores poderiam perder a capacidade de jogar se tivessem quadro grave de Covid-19, já que ele, sem comorbidade alguma, ficou com mais de 55% do pulmão comprometido por causa da doença.

Teve um filho, Davi. Quando seu menino completou 6 anos, Dudu, já separado da primeira esposa, casou-se com Thais, um grande amor, em 30 de junho de 2019.

No dia de bodas de papel, foi internado. As velas que seriam usadas no jantar de comemoração serviram para oração.

“Em 28 de junho, dia de São Pedro, o Senhor abriu as portas do céu para meu filho.”

Eduardo nasceu em João Pessoa (PB) e faleceu na Paraíba, aos 33 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela cunhada e pela mãe de Eduardo, Ana Karla Andrade dos Santos Lamenha e Sonia Oliveira Silva. Este tributo foi apurado por Samara Lopes, editado por Letícia Fortes, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 14 de outubro de 2020.