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José Cordeiro de Farias

1912 - 2020

Gostava de deixar o rádio no volume mais alto e ouvir as notícias com o jornal aberto, no “quartinho de Vovô”.

Zé de Juca, como o chamavam, era um homem cheio de filhos, netos, bisnetos, amigos e também de muitas histórias.

Era um homem de muita, mas muita fé. "Quando eu era criança, lembro-me de uma noite (...) ele falando que já tinha lido a Bíblia inteira, todas as páginas. Fiquei muito impressionado com aquilo, na minha cabeça de menino, a Bíblia era o maior livro do mundo", recorda o neto Diogo.

Um dos hábitos que mais gostava era deixar o rádio no volume mais alto e ouvir as notícias, que estavam sendo transmitidas pelo aparelho, com o jornal aberto, na mesa do pequeno quarto que era chamado de “quartinho de Vovô”. Uma das gavetas ficava trancada, com as balas de iogurte. A chave era apenas um enfeite, pois quem chegava no quartinho, pedia e pegava uma bala.

Era o patriarca e o alicerce central da família, que se reunia aos domingos para o tradicional almoço. "Lembro com carinho de uma vez que o senhor falou para a vovó que, se alguém tivesse chegado para almoçar, ela poderia tirar o do senhor e dar, que tinha nada não, era para colocar a comida para quem chegou”, recorda o neto Diogo, em uma "conversa" com Zé de Juca.

Ele partiu dois depois de sua esposa. "Acho que ela foi na frente para organizar tudo lá no Céu", conclui Diogo. O amor do casal era tão forte e bonito, que agora estão juntos lá em cima.

Para ler a homenagem à esposa de José, procure neste Memorial por Idalice Cordeiro dos Santos.

José nasceu em São Bento do Una (PE) e faleceu em São Bento do Una (PE), aos 107 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo neto de José, Diogo Ewerton Cordeiro dos Santos. Este tributo foi apurado por Marcelo Dettogni, editado por Mateus Teixeira, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 4 de julho de 2020.