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José Dias Ferreira

1939 - 2020

Um homem forjado entre bois, tijolos, pedras preciosas, notas musicais e muitas palavras para rimar.

Entre bois, tijolos e orquestra, de Colinas até o garimpo, esses elementos e caminhos contam muito bem a história desse homem, que viveu até seus últimos momentos lutando pela vida.

Filho de quilombolas, que se casou cedo, foi garimpeiro na Serra Pelada buscando sustentar sua família, foi também pedreiro e vaqueiro. Mas o mais especial, o que foi um momento célebre de sua vida, foi ter participado da Orquestra Municipal, onde tocava Tuba.

Passou a maior dor de um pai, quando perdeu seu primogênito com apenas 10 anos. Por essas e outras, teve uma vida cheia de lutas e glórias, e tinha uma força enorme para se reinventar perante as mais diversas situações.

"Um lado dele que até hoje pode ainda ser desconhecido, era o seu lado escritor de rimas, então para finalizar, não teria melhor forma de que sua moda recitar", diz Paulo:

“Foi correndo em lombo de cavalo,
Comendo Tatú e Guiné.
Foi no cabo da foice e do machado
que passei minha vida e não dei por Fé.”

Quem diria... que só algo que parou o mundo conseguiu pará-lo, mesmo tentando lutar, ela foi mais forte. Mas como um bom guerreiro, saiu dessa vida sob aplausos de vitória, pois já tinha cumprido sua missão. E o que resta aqui embaixo, aos que ficaram sem ele, é continuar o seu legado, mesmo sabendo que o companheiro de conversa na calçada, aos fins de tarde; o pai, o avô, o tio, o vizinho e o irmão que ele era, não vai estar mais lá.

José nasceu em Colinas (MA) e faleceu em Colinas (MA), aos 81 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo neto de José, Paulo Henrique Alves Correia Ferreira. Este tributo foi apurado por Michelly Lelis, editado por Alessandra Capella Dias, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 11 de julho de 2020.