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Maria José da Silva

1937 - 2020

Uma verdadeira matriarca, mulher de força e atitude.

Ainda criança, aos 2 anos, Maria José da Silva foi morar na cidade de Quipapá. Cresceu e tornou-se uma trabalhadora incansável, trabalhava na roça e ajudou sua mãe a cuidar dos seus dez irmãos.

Aos 26, casou e teve seis filhos biológicos, foram cinco homens e uma mulher. Criou mais uma como filha adotiva. Tinha 19 netos e três bisnetos.

Diziam trazer um jeito "sério de ser", mas, na verdade, dona Maria José era dona de um coração maior que o Brasil. Sempre fazendo caridade, colocando-se no lugar do outro, escutando o lamento de todos.

Amava sua família e seu esposo, companheiro de uma jornada linda de cinquenta e sete anos de união, numa caminhada em que sempre encontraram desafios e lutas; mas na qual, juntos, encontravam o caminho da vitória.

Não era de abraços e afagos, mas seu amor aparecia nos momentos singelos, sempre se preocupando com cada detalhe. Ela não abria mão de ser sincera, gostava de aconselhar, reclamar e estava sempre cuidando do que faltava, pois queria que as coisas fossem boas para todos que a cercavam.

Mulher de fé, era devota de Padre Cícero. Acreditava fortemente em Mãe Rainha e em Nossa Senhora de Fátima. Vivia orando. Era membro do Apostolado da Oração e frequentava a missa todos os domingos, uma fiel da comunidade católica da vila onde morava.

Embora fosse baixinha, tinha uma presença marcante que bastava para impor respeito a quem quer que fosse.

Muito admirada por sua postura como mulher, esposa, mãe e amiga, conquistou o respeito de sua família e da comunidade.

Com o seu trabalho na roça, conseguiu montar uma loja de roupas e artigos para casa e, até o dia de sua ida, dedicou-se ao seu comércio.

Em singeleza e grandeza de coração, Maria José partiu tendo finalmente o descanso de sua vida inteira de trabalho.

Para ler a homenagem à neta de Maria José, procure por Maria Rosineide da Silva, neste Memorial.

Maria nasceu em Alagoas e faleceu em Quipapá (PE), aos 83 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha e pela neta de Maria, Edjane Bernadinho da Silva e Maria Rosinalda da Silva. Este texto foi apurado e escrito por Malu Marinho, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 4 de novembro de 2020.