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Adiel Muniz da Silva

1959 - 2021

A paixão por carros só não era maior do que a paixão pela família, pelos seus ele nunca mediu esforços.

Adiel era uma pessoa tímida e de poucas palavras. E, no íntimo desse homem quieto, morava um grande coração, capaz de acolher a todos com seu carinho e atenção. Fosse manhã ou noite, lá estava ele solícito, generoso e solidário. Essas são algumas de suas muitas qualidades apontadas pela filha Caroline.

Um esposo e pai dedicado, que amava muito sua esposa e suas três filhas, demonstrava afeto por meio de atitudes de cuidado, era meio desajeitado para fazer carinho, o que provocava até risos nas filhas. Por elas era capaz de qualquer sacrifício, e os fez, sempre; lembra a filha que, quando faltava comida, o pai, diante da janela, o olhar perdido em reflexões, dizendo que, só comeria quando todos estivessem alimentados.

Um avô presente e apaixonado que ajudava com todos os cuidados, trocou inúmeras fraldas, acalentou, ajudou a alimentar.

Adiel era mecânico, chefe de manutenção da empresa em que trabalhava, seu passatempo preferido era mexer em carros. Um profissional excelente, amava o que fazia. Sabia tanto sobre carros, que tinha a capacidade de descobrir problemas apenas pelo som. Mesmo sendo um funcionário assíduo, que raramente tirava férias, foi um pai presente.

Tinha muitos amigos e irmãos, com quem fazia questão de manter contato todos os dias. Compartilhava com os seus o amor pelas coisas simples da vida, como um bom churrasco e os almoços em família. Sua comida preferida aos domingos era frango assado com batatas coradas, que ele, para brincar e irritar, chamava de buchada de bode com jerimum. Era apaixonado por futebol, em especial o Flamengo, seu time o coração.

Homem de fé, participava dos cultos aos domingos e encontrava os amigos da igreja às quintas-feiras. Era extremamente pacífico, não gostava de conflitos físicos ou verbais, fazia de tudo para apaziguar todos que podia.

“Ele era um ótimo ouvinte, um ótimo pai, era meu amigo, era meu herói, meu parceiro. Meu pai era incrível, meu exemplo e não tem um dia que eu não me lembre dele.” Diz, Caroline.

Adiel nasceu em Acari (RJ) e faleceu em São Pedro da Aldeia (RJ), aos 61 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Adiel, Caroline Fonseca da Silva. Este tributo foi apurado por Rayane Urani, editado por Rosa Osana, revisado por Thaísa Sousa e moderado por Rayane Urani em 28 de junho de 2021.