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Alcides Alves Costa

1938 - 2020

Oração e organização eram as marcas de sua história, mas se tivesse bolo de milho e um aluá, ele não resistia.

Alcides era um homem religioso, um bom pai, amigo de todos. Gostava de ajudar qualquer pessoa. Foi policial militar e era conhecido, em sua profissão, como "Alves". Na sua época de trabalho, foi guarda de trânsito, como já não existe mais.

Como era bonito de se ver! Alves organizando as ruas e as passagens dos pedestres e carros. Fazendo respeitar o trânsito e, se fazendo respeitar por todos, sob seu serviço e sob seu apito, nas ruas e avenidas. Aposentou-se, mas nunca perdeu seu jeito organizado de ser.

Alcides foi um chefe de família que imprimiu orgulho nos filhos, sempre preocupado com a família. Ajudar o próximo era sua maior satisfação. A quem se aproximasse, ele tinha sempre o bom conselho, a palavra certa e o bom caminho a mostrar, tudo isso com amor e dedicação, que sempre foram suas marcas. O filho Lucas afirma: “Meu pai era um homem de hábitos simples e os netos eram sua maior paixão. Isso sempre fez dele o meu herói”.

Na juventude, foi um homem que gostava muito de caminhada à beira-mar. Morando em Fortaleza, bem perto da praia, sempre que podia, ia caminhar e olhar a orla. Com o passar do tempo e com a idade avançada, as caminhadas foram deixadas para o passado.

Temente a Deus e seguidor de sua religião católica, “Ele foi uma referência aqui no nosso bairro, porque no mês de maio, gostava de fazer coroação de Nossa Senhora”, contou Lucas. Para Alcides, ir à missa era sagrado, sempre acompanhado de sua adorada Nazaré, com quem teve quatro filhos e de quem jamais esqueceu, após ficar viúvo e ter passado por um imenso sofrimento com a perda.

O filho Lucas nos conta que o pai era um homem cuidadoso e que não havia uma vez que os filhos saíssem de casa e que o conselho “tomem cuidado com os marreteiros de carteira no ônibus”. Os "marreteiros", explica o filho, eram os batedores de carteira. Lembra ainda, que o pai sempre dizia para rezar, rezar muito e sempre. Mania essa que passou dos filhos para os netos, estendendo o cuidado. Mandava os filhos e netos rezar e ir à missa, e “tomar cuidado quando estivéssemos na rua”, contou o filho.

Além disso, o filho Lucas ainda conta que o pai era um grande contador de histórias e também que ele não perdia uma boa festa junina: “quando chegava o mês de junho, a família toda já se organizava e já preparava as roupas. Era aquela animação. E as quadrilhas juninas então! Na família, irmãos e primos, amigos... todo mundo brincou na sua quadrilha. No final tinha o lanche, aluá e bolo de milho-verde. Que saudade! Meu baixinho fazia questão de ver a família unida e feliz. Agora ele está com sua Nazaré, nossa mãe, então está feliz".

Alcides nasceu Fortaleza (CE) e faleceu Fortaleza (CE), aos 82 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelo filho de Alcides, Lucas Joaquim Bezerra Costa. Este tributo foi apurado por Michelly Lelis, editado por Sandra Maia, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 22 de junho de 2020.