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Álvaro Carvalhal Franco

1961 - 2020

Todos os dias visitava a mãe com quitutes gostosos e muito amor para dar.

Álvaro era a própria tradução da educação. Policial Militar, sempre foi uma pessoa de muitos amigos, todos gostavam dele. Sempre que precisavam de algo ele não pensava duas vezes para ajudar.

Diariamente, ia às 9h30 à casa de sua mãe, religiosamente ─ ele amava pararicá-la ─, mas não sem antes passar pela melhor padaria do bairro para levar várias guloseimas para ela e os sobrinhos. Ele amava agradá-los assim, principalmente, porque sabia que a mãe gostava de comer coisas diferentes. Aproveitava a visita para ajudá-la com sua dificuldade de locomoção. Caminhavam um pouco e tomavam um solzinho na área de lazer do prédio. Cuidava dela com muito amor, levava às consultas, acompanhava em exames e, quando ela precisava de internação, era ele quem ficava de acompanhante, revezando pouquíssimas vezes com uma das irmãs, pois ele fazia questão de ficar junto com a mãe no hospital. Era o porto seguro dela, assim como o das irmãs, dos sobrinhos, da esposa e dos sogros.

Era apaixonado por sua "Adrianinha", esposa que ele tratava como uma rainha; quem visse a forma que ele se relacionava com ela, jamais diria que eram casados há trinta e três anos, era como se ela ainda fosse sua namoradinha.

Sua bondade, altruísmo e enorme coração foram suas maiores virtudes.

"Em uma determinada época da minha vida, eu e meu marido passamos por uma grande dificuldade financeira. Meu irmão, nesse período, não deixou que nada faltasse aos meus filhos, eles tinham de tudo: roupas, brinquedos, alimentos e material escolar; meus filhos nem chegaram a sentir as dificuldades pelas quais passamos, graças ao tio", conta a irmã de Alvaro, Tania Soré, que continua: "O último dia que o vi, em um sábado à tarde, na casa da minha mãe, onde sempre nos reuníamos, ele falou o que sempre falava nas despedidas 'Bom, tchau, tchau! Depois a gente conversa'. Muitas vezes a gente até dava risada. Foram essas as últimas palavras que ouvi meu querido irmão dizer.

Álvaro nasceu em São Paulo e faleceu em São Paulo, aos 57 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pelas irmãs de Álvaro. Este tributo foi apurado por Andressa Cunha, editado por Andressa Cunha, revisado por Didi Ribeiro e moderado por Rayane Urani em 24 de maio de 2020.