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Alziro Viana de Souza

1970 - 2020

Vascaíno de coração, colecionava carrinhos e histórias divertidas para contar para a família.

Alzirinho era um verdadeiro contador de histórias. Com o bom humor que lhe era característico, era a atração nas festas de família porque transformava momentos difíceis em narrativas hilárias e era assim que se lembrava da transição de uma juventude conturbada a uma vida adulta regada pelo amor compartilhado com a esposa Valéria e pelo amor a Deus.

Foi adotado ainda criança. Transformado em filho nascido do peito, herdou do pai a paixão que vem de berço e se tornou "vascaíno de coração". E se alguém o chamava de "vascaíno doente" fazia questão de corrigir o equívoco, porque nada poderia dar uma conotação negativa a um sentimento tão sincero quanto o que ele nutria pelo Gigante da Colina.

Alzirinho começou a lidar com adversidades bem cedo e cresceu envolto por desafios pessoais que poderiam ter custado sua vida ainda na adolescência ou no começo na idade adulta. Felizmente encontrou em Valéria o apoio, o afeto e o testemunho de fé de que precisava para dar novos rumos à própria trajetória e escrever novas histórias.

Converteu-se em um homem bastante trabalhador que só deixava de cumprir com suas responsabilidades quando forçado por alguma questão grave. Dedicava-se a fazer tudo com a qualidade que só um verdadeiro perfeccionista consegue alcançar e "não aceitava que ninguém fizesse nada para ele, porque ele que tinha que fazer, ele que sabia fazer do jeito dele", lembra a sobrinha Gisele. Porém, quando tinha de agradecer alguém por algo, expressava a mais sincera gratidão dizendo "brigado grandão".

Se, por um lado, o perfeccionismo de Alzirinho poderia ser visto como defeito, por outro, era benéfico para aqueles ao seu redor. Prestativo, ele era um faz-tudo, sempre ajudando a arrumar uma torneira aqui e um chuveiro acolá. Contando com suas habilidades, estava ansioso para dar seu toque especial em uma casa no quintal da sobrinha Gisele, para onde se mudaria em busca de um novo lar.

Esse novo lar abrigaria ainda sua amada Valéria e Pepita, a cachorrinha por quem Alzirinho tinha devoção paternal e era seu verdadeiro xodó. Certamente haveria um espaço especial também para sua imensa coleção de carrinhos, pela qual nutria um ciúme verdadeiro. O objetivo principal da mudança, porém, era estar mais perto de sua família, porque sempre estiveram juntos e era assim que gostavam de estar, nos bons e nos maus momentos.

Alzirinho se foi, mas deixou muitas histórias a serem contadas em seu nome, sobretudo relembrando sua alegria e seu jeito divertido de ser.

Alziro nasceu em Niterói (RJ) e faleceu em Niterói (RJ), aos 49 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela sobrinha de Alziro, Gisele Alves de Souza. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Larissa Reis, revisado por Paola Mariz e moderado por Rayane Urani em 16 de setembro de 2020.