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Bruno Leonardo Costa Barbosa

1979 - 2020

Sua inesquecível presença era sua forma de expressar um caloroso e ímpar “eu te amo”.

Era raro o dia em que o Bruno chegava em algum lugar e ninguém notasse a sua presença. Além da alegria marcada no rosto com um sorriso daqueles, e de seu jeito brincalhão de ouvir e contar histórias – características que lhe renderam muitas amizades –, o homem marcado pela felicidade estampada ainda tinha o carinhoso apelido de “Gaguinho”. Parecia ser a sua fórmula, única, de passear por aqui de maneira tão leve e inesquecível.

Talvez por isso, sempre amou cantar. Principalmente no chuveiro da casa onde morou com a mãe, Luzimar, no bairro Cohaserma. Do banho, vaidoso que era, se arrumava e ainda ensaiava alguns passos, que conseguia aplicar em alguns dos bons pagodes com a sua turma. Era da galera e, de certa forma, a galera era dele, também.

Mas era pai. E Bruno aprendeu o verdadeiro significado da paternidade muito cedo. Soube, na prática, que ser pai não significa ter o mesmo sangue, e, assim, tornou-se uma figura exemplar e única para sua filha mais velha, Ana Luíza. Com ela, assistiu diversos passos de balé, conheceu novos lugares e dividia segredos, que levou consigo. Afinal, se é segredo, é para ser guardado. Ele fazia questão de não descumprir combinados.

Foi pai do Miguel, seu amado e esperado menino, e da Ana Clara. Era presente, e sempre gostou de surpreender os filhos com um bom almoço no seu restaurante preferido da capital maranhense.

Já no lugar de filho, representou força e carinho para a mãe. Em seu último áudio encaminhado a ela, dizia que quando saísse do hospital, seria ainda mais presente em sua vida. Com a convicção de que ficaria tudo bem, e que conseguiria cumprir o combinado, deixou seu carro estacionado na porta da unidade.

De forma tão rápida, não pôde tirar seu veículo do estacionamento. Mas sua mensagem sempre foi dita em seus gestos e pela forma que viveu, sempre em estado de contemplação da vida.

Ele ensinou que é possível ser feliz a cada momento.

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Homenagem da noiva de Bruno, Camila Gabriella:

Bruno era de uma alegria contagiante, de sorriso fácil e alto astral... não tinha tempo ruim com ele!

De coração bondoso, prestativo e amigo, sempre estava rodeado dos seus amigos e familiares. Amava comer e comia bem, junto com sua cervejinha que tanto gostava. Ah! E trabalhar era com ele mesmo, acordava com vontade de vencer e ia pra luta, sempre agoniado e elétrico.

Não gostava de mentiras, e quem gosta né? O famoso “gaguinho” era sucesso por onde passava, sempre cheiroso e vaidoso gostava de chamar atenção, gostava de ser visto.

Foi pai, filho, genro, noivo e o principal, ele foi amado e querido por todos. E agora escrevo sentindo falta das ligações de segunda perguntando como foi o meu dia. Ia ser um ano lindo pra gente, noivamos em Paris como cena de filme e já com data de casamento marcada e cheios de planos. Planos que passou a ter depois dos 38 anos e foi tão gratificante ver sua mudança e seu crescimento a essa idade, quando se acha que já não tem mais jeito. E o reconhecimento das mudanças que era notório! Como é bom saber que colaborei pra sua mudança, isso não tem preço.

Descanse em paz meu amor! Continue nos guardando de todo mal!

Bruno nasceu em São Luís (MA) e faleceu em São Luís (MA), aos 41 anos, vítima do novo coronavírus.

Tributo escrito a partir de testemunho concedido pela cunhada e pela noiva de Bruno, Joana Maciel e Camila Gabriella Cantanhede Fiuza. Este texto foi apurado e escrito por Jornalista Lucas Eduardo Soares, revisado por Gabriela Carneiro e moderado por Rayane Urani em 10 de novembro de 2020.