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Carlos da Costa Alcantara

1949 - 2021

Arrancava suspiros ao passar fardado pela rua.

Primogênito da família, o belenense Carlos foi uma mistura de pai e de irmão para seus quatro irmãos. Teve uma infância pobre, mas era resiliente, "um verdadeiro 'Highlander'", afirma a filha Caroline. Assim, estudou e encontrou, no serviço militar, a saída para ter uma vida digna.

"Lá vem, lá vem
Marinheiro só
Como ele vem faceiro
Marinheiro só
Todo de branco
Marinheiro só
Com seu bonezinho
Marinheiro só..."
(Caetano Veloso)

"Meu pai era lindo e quando colocava a farda branca da Marinha era possível ouvir os suspiros das mulheres ao redor", conta Caroline. Carlos conheceu o amor de sua vida numa festa e com ela completou Bodas de Ouro. Da união nasceram três preciosas filhas e cinco netinhos maravilhosos.

Carlos passou por muitas provações em sua jornada, mas sempre como um guerreiro do bom combate. Apesar da saúde frágil, representava o pilar da família e do círculo de amizades. "Foi um pai cuidadoso, amigo 'pra mais de metro', irmão dos seus irmãos e de seus cunhados", ressalta Caroline.

"Se havia algo que meu pai não sabia era viver sem a companhia de seu grande amor. Percorreram várias cidades em mais de cinquenta anos de convivência e, de tão unidos, faleceram no mesmo dia e na mesma hora. Seguirão juntos pela eternidade."

Carlos nasceu em Belém (PA) e faleceu em São Luis (MA), aos 71 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela filha de Carlos, Caroline da Silva Alcantara Nery. Este tributo foi apurado por Rayane Urani, editado por Luciana Assunção, revisado por Maria Eugênia Laurito Summa e moderado por Rayane Urani em 27 de abril de 2022.