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Cecília Gomes de Lima

1950 - 2020

Seu maior legado foi o amor. De tão bondosa, deixava de comer para alimentar os necessitados.

Cecília era leve, receptiva e simpática, do tipo que não guardava rancor nem quando lhe faziam o mal. Pelo contrário, continuava amando mais as pessoas, cultivando o verdadeiro significado do amor.

Simples e carinhosa, ela gostava de todos por igual e dedicou sua existência para o bem-estar dos seus e do próximo. Mantinha a melhor relação possível com a família e sempre procurava reuni-los.

A neta Débora conta que, mesmo no hospital, Cecília perguntava e se preocupava com os filhos e netos. "Sendo que quem estava precisando de atenção era ela", admira-se a neta, para quem a avó era simplesmente a joia mais preciosa que tiveram a sorte de conhecer no meio desse mundo tão caótico.

Cecília possuía o hábito de ficar em casa vendo seus programas preferidos na televisão, e, quando aparecia alguém, costumava oferecer café, água ou perfume. Sim, isso mesmo. "Depois que operou um aneurisma cerebral em 2012, ficou como uma criança, então fez muitas coisas engraçadas", recorda-se Débora, entre risos.

Para ela, além das lembranças divertidas, o legado da avó ainda inclui: "A sua alegria, o seu amor e a sua bondade, que são exemplos, e que irei levar para o resto da minha vida".

Cecília nasceu em Severiano Melo (RN) e faleceu em Fortaleza (CE), aos 70 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela neta de Cecília, Débora Alonso Arja. Este tributo foi apurado por Lígia Franzin, editado por Mariana Quartucci, revisado por Lígia Franzin e moderado por Rayane Urani em 31 de julho de 2020.