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Cloves Cabral Ferreira

1956 - 2020

Adorava se refugiar com a esposa na casa de praia ou na chácara, que era o seu paraíso na Terra.

Cloves foi um grande homem, dotado de muitas qualidades, que sempre cativou a admiração de todos que o cercavam, seja no seu trabalho como advogado ou como pai, avô, marido e ser humano.

Construiu uma linda família, fruto do casamento com Marília, com quem viveu até o fim dos seus dias uma linda história de amor, de amor incondicional, que teve início ainda na adolescência e perdurou até os seus 64 anos de idade.

“Tive o privilégio de ter o Cloves como marido. Foram 43 anos de casados e mais 5 anos de namoro, dentro de um padrão de amor, respeito e reciprocidade. Sempre juntos, vivemos os dias mais felizes de nossas vidas”, orgulha-se Marília.

Dessa linda e inspiradora união vieram os filhos: Wanessa, Cloves Filho e Andressa (in memoriam) e os quatro netos: Bianca, Andressa, Bárbara e Márcio – que era chamado de Zequinha por Cloves.

O amor de Cloves e Marília era tão lindo quanto o dos contos de fadas, mas vivido na vida real, por pessoas reais, que escolhiam diariamente cultivar o sentimento mais puro. Para quem acredita na existência de almas gêmeas, o casal poderia ser um exemplo delas. Nos 48 anos de convivência, nunca ficaram distantes um do outro, como se, de fato, isso fosse impossível e os deixasse sem oxigênio.

“Ele era especial em todos os sentidos: humano, solidário, caridoso, iluminado. Sorte a nossa, dos que o rodeavam, de compartilhar de sua companhia e inumeráveis qualidades. Enfim, um homem digno, que cumpriu seu papel com maestria”, conta Marília.

Cloves adorava refugiar-se com sua amada na casa de praia ou na chácara, que era o seu paraíso na Terra. Em meio à natureza, cercado por pessoas de bem e na companhia da cachorrinha Batoré que tanto amava, o casal ficava nas nuvens. E assim, no aconchego de uma vida abençoada, vinham também à tona seus dotes culinários, tão apreciados por todos.

“Meu pai tinha um relógio biológico que o acordava às 4 da manhã, ou até antes, e já começava a preparar na cozinha as delícias que só ele fazia. Tudo o que fazia era muito gostoso. Ele era um ser extraordinário que fazia bem tudo o que se propusesse a realizar”, lembra Wanessa, uma das filhas.

As qualidades de Cloves incluíam a fé e a perseverança, ainda que nos dias mais difíceis. Mesmo após a descoberta de um câncer, contra o qual lutava bravamente, Cloves sempre confiou em Deus e no curso da vida, sem nunca se questionar sobre o porquê dos acontecimentos – fossem eles um câncer ou, posteriormente, as complicações da Covid-19. Ao contrário, escolheu viver seus dias como um presente, repleto de aprendizagens, cercado pela família e amigos e pelo trabalho que tanto amava.

Apesar da saudade, o conforto da família vem com a convicção de que Cloves tem agora uma missão ainda mais especial a ser cumprida. Junto de Deus, com sua alma iluminada, Cloves seguirá agindo de forma positiva na vida das pessoas, irradiando o amor e o bem de lá do céu, por toda a eternidade.

Cloves nasceu em Água Preta (PE) e faleceu em Recife (PE), aos 64 anos, vítima do novo coronavírus.

Testemunho enviado pela esposa e pela filha de Cloves, Marília de Siqueira Ferreira (esposa), Wanessa Pollyane Ferreira Cavalcanti (filha). Este tributo foi apurado por Thyago Soares, editado por Fernanda Queiroz Rivelli, revisado por Otacílio Nunes e moderado por Rayane Urani em 31 de agosto de 2020.